Não há transição suave. Não há aviso prévio. A nova política já chegou ao Brasil e está empurrando, sem cerimônia, os políticos da velha guarda para fora do centro do palco. Não pede licença, não explica o que está fazendo e não cede espaço. Ocupa. Impõe. Avança.
Trata-se da política da era da inteligência artificial, dos algoritmos e das redes sociais — um ambiente onde experiência pesa menos do que alcance, e onde a capacidade de gerar engajamento vale mais do que décadas de articulação nos bastidores.
Em Santa Catarina, esse movimento é mais visível e mais rápido. Durante anos, a força política se construiu com traquejo, conversas reservadas, acordos ao pé do ouvido e habilidade para sobreviver dentro do sistema. Espiridião Amin simboliza essa escola: longevidade, influência e domínio do jogo tradicional. Mas, quando não surgiu no Estado um nome capaz de enfrentá-lo dentro dessas regras, a ruptura veio de fora — e veio sem sutileza.
A entrada de Carlos Bolsonaro no tabuleiro catarinense escancara a nova lógica. Já não importa tanto de onde o político vem, mas quantas pessoas ele alcança. Território cede lugar à audiência. A política deixa de ser local e passa a ser digital.
Ao lado de figuras como Carol de Toni, essa nova geração sela uma mudança profunda. O que antes se resolvia com manobras políticas, pressões formais ou informais e negociações internas, hoje se decide por números frios: pesquisas, visualizações, compartilhamentos, curtidas. A moeda mudou.
Não é que a política tenha ficado mais barata — ela apenas trocou de mercado. Já não se compra voto; compra-se atenção. Investe-se em narrativa, em confronto permanente, em presença constante no feed. Quem não aparece, desaparece. Quem não engaja, perde espaço.
Nesse novo cenário, o governador Jorginho Mello vive um dilema típico dos tempos de ruptura. Forjado na velha política, elegeu-se já sob as regras da nova. Agora tenta se impor adotando um discurso mais direto, mais duro, menos negociado — como fazem os novos políticos. A questão é se conseguirá sustentar essa posição intermediária ou se será obrigado a escolher um lado em um jogo que não admite meio-termo.
Hoje, as eleições não começam mais na campanha e não se decidem no dia da votação. As urnas apenas confirmam um resultado construído muito antes, diariamente, nas telas dos celulares. Santa Catarina pode estar alguns passos à frente, mas o fenômeno não é regional. É nacional — e irreversível.
E em Alfredo Wagner, como está a nova política?
Fique informado, tenha acesso a mais de 15 colunistas e reportagens exclusivas sobre Alfredo Wagner e região! Acesse Canal no Whatsapp do Jornal Alfredo Wagner Online aqui! Jornal Alfredo Wagner Online aqui!