Durante a ExpoFemi 2026, em Xanxerê, o governador Jorginho Mello elevou o tom sobre uma das demandas mais antigas e críticas de Santa Catarina: a duplicação da BR-282. Em um movimento que mistura pressão política e estratégia administrativa, o governador reiterou que o Estado está disposto a assumir a gestão da rodovia caso a União não apresente soluções concretas em curto prazo.
O Corredor de Riqueza e os Gargalos do Oeste
A BR-282 não é apenas uma estrada; é a “espinha dorsal” da economia catarinense. Responsável por conectar o agronegócio do Grande Oeste aos portos do Litoral, a rodovia enfrenta hoje o esgotamento de sua capacidade.
O cenário atual combina:
- Logística defasada: O escoamento de carnes e grãos é prejudicado por pistas simples.
- Insegurança: O alto volume de veículos pesados resulta em índices preocupantes de acidentes.
- Custo Brasil: A lentidão no trajeto encarece o frete e tira a competitividade dos produtores locais.
O Plano B: Como funcionaria a estadualização?
A fala de Jorginho Mello na ExpoFemi joga luz sobre a estadualização, um processo jurídico e administrativo onde a União transfere a responsabilidade da via para o Governo do Estado.
Na prática, se o Estado assumir o trecho, o caminho mais provável para viabilizar a obra bilionária seria a concessão à iniciativa privada. Isso implicaria na instalação de praças de pedágio, garantindo investimentos que o orçamento direto do Estado dificilmente suportaria sozinho.
O desafio: Para que isso ocorra, é necessário um acordo diplomático com o Governo Federal e uma modelagem técnica que convença a população de que o custo do pedágio compensa a agilidade da obra.
Entre o Discurso e a Prática
Embora a sinalização do governador traga esperança ao setor produtivo, os obstáculos são significativos. A duplicação de uma rodovia com relevo acidentado como a 282 exige um aporte financeiro massivo.
Para as lideranças do Oeste, o que importa é o resultado. O setor produtivo defende que a duplicação trará:
- Redução drástica nos custos operacionais.
- Eficiência na integração com os centros consumidores.
- Desenvolvimento regional acelerado.
Conclusão: Protagonismo ou Pressão?
Ao colocar a estadualização na mesa, Jorginho Mello envia um recado claro a Brasília: Santa Catarina não aceitará mais a inércia. Resta saber se o movimento resultará em obras executadas pela União ou se o Estado, de fato, chamará para si a responsabilidade de gerir o seu principal corredor logístico.
Por enquanto, o anúncio serve como um importante marco político em um ano onde a infraestrutura dita o ritmo do debate econômico catarinense.
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