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Ir ao dentista só quando dói sai mais caro e não é só no bolso

Karolina Christina Romagnoli dos Santos, 17/03/202617/03/2026

Cultura da urgência ainda predomina no Brasil e faz com que problemas simples evoluam para tratamentos complexos e mais caros

No Brasil, ainda é comum ouvir a frase “vou ao dentista quando precisar”. O problema é que, na maioria das vezes, “precisar” significa dor. E quando a dor aparece, quase sempre o problema já evoluiu.

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), em parceria com o Conselho Federal de Odontologia (CFO), revela que 32% dos brasileiros não vão ao dentista para realizar avaliação odontológica — uma ferramenta preventiva que deveria fazer parte da rotina de cuidados com a saúde. O dado ajuda a explicar por que tantos atendimentos ainda acontecem em caráter emergencial.

A lógica parece simples: evitar consultas periódicas para economizar. Mas, na prática, o resultado costuma ser o oposto. Procedimentos que poderiam ser resolvidos com uma limpeza ou restauração simples evoluem para tratamentos de canal, cirurgias ou reabilitações complexas.

Para o cirurgião-dentista Marcos Pereira Villa-Nova, essa cultura reativa custa caro, financeiramente e biologicamente. “Quando o paciente procura atendimento apenas na presença de dor, geralmente estamos lidando com um quadro avançado. A odontologia preventiva é sempre menos invasiva, menos traumática e mais acessível”, explica.

Cáries não surgem de um dia para o outro. Doenças periodontais também não. São processos silenciosos que evoluem ao longo do tempo. A dor é, na maioria das vezes, um sinal tardio. Além do impacto direto nos dentes, a negligência pode afetar o organismo como um todo. Infecções bucais estão associadas a processos inflamatórios sistêmicos e podem agravar condições como diabetes e doenças cardiovasculares.

Marcos defende uma visão mais ampla da odontologia, construída ao longo de sua experiência clínica. “Assumi um ditado que um professor falava muito e o carrego desde então: a boca não vem andando sozinha para o consultório. Analisar o paciente como um todo e não só a boca é essencial para um diagnóstico mais assertivo”, afirma.

Essa abordagem integrada permite identificar hábitos, padrões alimentares, níveis de estresse e condições sistêmicas que influenciam diretamente a saúde bucal. O bruxismo pode estar ligado à ansiedade. Problemas gengivais podem refletir descontrole metabólico. A odontologia moderna deixou de ser isolada.

Do ponto de vista financeiro, o impacto é claro. Uma consulta preventiva periódica custa significativamente menos do que um tratamento de canal associado à colocação de coroa. Sem falar no tempo afastado do trabalho, no desconforto e na complexidade do procedimento.

“A prevenção é investimento, não gasto. Quando acompanhamos o paciente regularmente, conseguimos intervir cedo, preservar estrutura dental e evitar tratamentos extensos”, conclui Marcos. Ir ao dentista apenas quando dói pode parecer economia no curto prazo. Mas, no longo prazo, o custo é sempre maior, para o bolso e para a saúde.

Sobre

Marcos Pereira Villa-Nova é cirurgião-dentista formado pela Universidade Estácio de Sá. Possui ampla experiência clínica no Brasil e nos Estados Unidos, com atuação em atendimento humanizado e planejamento de tratamento personalizado. Ao longo da carreira, participou de congressos internacionais, incluindo o Yankee Dental Congress 2025, em Boston, e acumula experiência em gestão estratégica e coordenação de novos pacientes em clínicas odontológicas.

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