A história de Alfredo Wagner é tecida por gestos de coragem que, muitas vezes, ultrapassaram os limites dos altares e consultórios. Em julho de 1975, uma parceria entre o Projeto Rondon, a paróquia e a saúde local não apenas salvou vidas, mas estabeleceu um marco de cidadania: o primeiro grande cadastramento sanguíneo do município.
Um Drama que Virou Campanha
A iniciativa, conforme relata o recorte de época, nasceu de um episódio dramático. Pe. Alfons Hasenfratz, vigário local, e o Dr. Antônio Carlos Trevisol Bittencourt presenciaram o desespero de uma parturiente que quase perdeu a vida devido a uma hemorragia severa. Naquele momento, o desconhecimento do tipo sanguíneo da paciente e a falta de doadores rápidos revelaram uma vulnerabilidade da comunidade.
Dessa necessidade urgente, Pe. Alfons — conhecido por seu cuidado incansável tanto com a alma quanto com o bem-estar material de seus paroquianos — encabeçou, ao lado do Dr. Antônio Carlos e do Pastor Martins Weingaetner, a campanha “Repartir o Sangue”.
O Projeto Rondon em Ação
Entre os dias 10 e 25 de julho de 1975, uma equipe de universitários mobilizou a cidade. O que se viu foi um esforço coordenado de saúde e educação:
- Alcance: Foram realizados 1.046 exames de tipagem sanguínea e fator RH.
- Público: O atendimento abrangeu desde jovens de 16 anos até idosos de 60 anos.
- Economia e Acesso: Em uma época onde o exame custava cerca de Cr$ 70,00, a gratuidade foi um alento para as famílias alfredenses.
O “Apóstolo do Sangue”
Embora a matéria foque no aspecto logístico, a memória oral da cidade guarda detalhes ainda mais profundos da entrega do Pe. Alfons. Relatos contam que o pároco, provavelmente detentor de sangue universal, não hesitou em realizar transfusão direta “braço a braço”, para salvar pacientes em estado crítico no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, segundo contavam as enfermeiras da época.
Sua visão era tão avançada que ele e o Pastor Martins passaram a exigir a apresentação do tipo sanguíneo dos noivos para a realização de casamentos, visando prevenir complicações futuras de saúde para as famílias que se formavam.
Além da Saúde: Esporte e Lazer
A passagem dos rondonistas também deixou marcas na educação física. Enquanto o cadastramento ocorria, o acadêmico Marino Tessari coordenava colônias de férias na Escola Básica Silva Jardim, envolvendo 60 crianças em competições de futebol de salão com equipes históricas como o Piquete Esporte Clube e o Metropol.
Reflexão para o Presente
O resgate dessa notícia de 1975 nos lembra que o desenvolvimento de Alfredo Wagner sempre dependeu da união de lideranças que olhavam para o próximo com pragmatismo e amor. O Pe. Alfons Hasenfratz não apenas pregava a solidariedade; ele a injetava, literalmente, nas veias de sua comunidade.

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