A política, muitas vezes, não se define apenas pelos movimentos visíveis, mas sobretudo pelas articulações que acontecem nos bastidores. Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello tem demonstrado que entende bem essa lógica — e os acontecimentos recentes apenas reforçam essa percepção.
A desistência de Ratinho Junior da disputa presidencial não é um fato isolado no cenário nacional. Seus efeitos reverberam diretamente no tabuleiro catarinense, desorganizando adversários e, ao mesmo tempo, consolidando o espaço político do atual chefe do Executivo estadual. Sem o eixo nacional que sustentava o projeto do PSD, a oposição perde coesão, direção e, principalmente, viabilidade eleitoral.
Nesse contexto, a situação de João Rodrigues torna-se emblemática. O que antes parecia uma candidatura estruturada passa agora a enfrentar incertezas profundas: partido fragilizado, perda de aliados estratégicos e ausência de uma narrativa nacional que justificasse o enfrentamento. A política, afinal, é também sobre timing — e o tempo parece não estar a favor do prefeito.
Enquanto isso, o governador catarinense segue acumulando apoios de forma gradual, porém consistente. Não se trata de um movimento ruidoso, mas de uma construção política baseada em alianças amplas, ocupação de espaços e leitura estratégica do cenário. A adesão de lideranças de diferentes partidos e a sinalização de convergência até mesmo em siglas que, em tese, estariam em campos opostos, indicam um processo de fortalecimento raro em disputas estaduais.
Outro ponto que chama atenção é a fragmentação do PSD. A saída de nomes relevantes e as divergências internas expostas publicamente enfraquecem ainda mais qualquer tentativa de enfrentamento competitivo. Em política, unidade é força — e a ausência dela costuma ser determinante.
Diante desse quadro, o atual mandatário aparece não apenas como favorito, mas como alguém que soube transformar crises alheias em oportunidades próprias. Mais do que isso, demonstra habilidade em antecipar movimentos e ocupar espaços antes mesmo que seus adversários consigam reagir.
Falar em reeleição, neste momento, deixa de ser uma projeção arriscada para se tornar uma possibilidade concreta — e até mesmo confortável. Dependendo dos próximos desdobramentos, não é exagero cogitar uma vitória ainda no primeiro turno.
No fim das contas, o que se observa em Santa Catarina é um exemplo clássico de como a política é construída: menos por discursos e mais por articulação, menos por promessas e mais por posicionamento estratégico. E, nesse jogo, poucos têm se mostrado tão eficientes quanto o atual governador.
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