A busca por atenção em autistas é muito interpretada como narcisismo e egocentrismo, mas propomos o conceito de egocentrismo compensatório, que altera a visão sobre isso, afirmam o Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, a endocrinologista e especialista em Neurociências e Comportamento , Dra. Jacy Maria Alves e o médico do exercício e esporte, Dr. Rafael Marchetti, autores do estudo
Um estudo recente publicado pela Atena Editora na revista International Journal of Health Science propõe uma nova interpretação para comportamentos frequentemente observados em pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A pesquisa apresenta o conceito de “egocentrismo compensatório”, um mecanismo adaptativo de base neurobiológica para lidar com dificuldades sociais e emocionais.
O estudo foi desenvolvido pelo pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, pela endocrinologista e especialista em Neurociências e Comportamento, Dra. Jacy Maria Alves e pelo médico do exercício e esporte, Dr. Rafael Marchetti.
De acordo com o Dr. Fabiano de Abreu Agrela, o objetivo é reinterpretar comportamentos frequentemente rotulados de forma equivocada.
“A busca por atenção em indivíduos com autismo é muitas vezes interpretada como narcisismo ou egocentrismo, mas propomos o conceito de egocentrismo compensatório, entendido como um mecanismo adaptativo para equilibrar dificuldades sociais”, explica.
Mecanismo adaptativo e não traço de personalidade
O estudo destaca que comportamentos associados à busca por validação podem estar ligados a alterações neurobiológicas envolvendo neurotransmissores como dopamina, glutamato e GABA, além de diferenças em áreas cerebrais relacionadas à regulação emocional e social.
De acordo com a Dra. Jacy Maria Alves, esses fatores ajudam a compreender a função desses comportamentos.
“O chamado egocentrismo compensatório reflete uma estratégia de adaptação que busca equilíbrio emocional e social, não devendo ser confundido com traços fixos de personalidade”, afirma.
Hiperfoco e recompensas internas
A pesquisa também aponta que o hiperfoco e o desenvolvimento de habilidades específicas podem funcionar como formas de recompensa interna, contribuindo para a sensação de realização e regulação emocional. Para o Dr. Rafael Marchetti, essa dinâmica reforça a ideia de plasticidade cerebral.
“Esses comportamentos podem representar respostas sofisticadas do cérebro para compensar desafios sociais, transformando dificuldades em oportunidades de desenvolvimento cognitivo e funcional”, destaca.
Mudança de perspectiva
Os autores também defendem que compreender melhor o conceito de egocentrismo compensatório ajuda a reduzir estigmas e ampliar a visão sobre o autismo, valorizando a resiliência e as adaptações individuais.
“A interpretação dessas condutas como mecanismos adaptativos permite reconhecer a plasticidade e as contribuições únicas das pessoas no espectro”, conclui o Dr. Fabiano de Abreu Agrela.
Sobre o Dr. Rafael Marchetti
Rafael Marchetti é médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, com especialização em Cardiologia e título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Possui pós-graduação em Medicina do Exercício e do Esporte, certificação internacional em Medicina do Estilo de Vida pelo IBLM e MBA em Gestão de Saúde. Com 20 anos de experiência, já coordenou UTIs cardiológicas e preceptou residência médica. Atualmente, atua no projeto Cardioendocrino & Lifestyle Medicine e no Lapinha Spa. É coautor do livro Revolução Alimentar e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Sobre a Dra. Jacy AlvesDra. Jacy Maria Alves é médica formada pela UFSC, com residências em Medicina Interna e Endocrinologia. É especialista em Endocrinologia pela SBEM, mestre em Medicina Interna focada em Diabetes pela UFPR, e certificada em Medicina do Estilo de Vida e Obesity Medicine pela Harvard. Trabalha como endocrinologista em consultório particular desde 2014, no Lapinha Spa desde 2022, e foi pesquisadora na Clínica Quanta até 2022. Também atua no INC desde 2016 e é professora na MevBrasil. Recebeu prêmios como 1º lugar em medicina na UFSC e em concursos de residência. Publicou artigos científicos e o livro “Revolução Alimentar” em 2024. Atualmente, está em pós-graduação em Neurociências na PUC-RS e em curso de Cuisine Santé. É membro de diversas sociedades médicas.
Sobre Dr. Fabiano de Abreu AgrelaDr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues MRSB/P0149176 é Pós-PhD em Neurociências, eleito membro da Sigma Xi – The Scientific Research Honor Society (instituição na qual mais de 200 membros já receberam o Prêmio Nobel) e Sócio Agregado da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa (SCML) em Portugal (registo nº 6372). É também membro da Society for Neuroscience nos Estados Unidos, da Royal Society of Biology e da The Royal Society of Medicine no Reino Unido, da The European Society of Human Genetics em Viena, Áustria, e da APA – American Philosophical Association nos Estados Unidos.
Mestre em Psicologia, Licenciado em História e Biologia, possui também o título de Tecnólogo em Antropologia e Filosofia, com diversas formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. Dr. Fabiano é membro de prestigiadas sociedades de alto QI, incluindo Mensa International, Intertel, ISPE High IQ Society, Triple Nine Society, ISI-Society e HELLIQ Society High IQ.
Autor de mais de 400 estudos científicos e 31 livros, atua como professor convidado na PUCRS e Comportalmente no Brasil, UNIFRANZ na Bolívia e Santander no México. Além disso, é Diretor do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e criador do projeto GIP, que estima o QI por meio da análise da inteligência genética.
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