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Procedimento foi realizado com o paciente acordado para preservar a fala; dois dias depois, ele já estava em casa
Uma cena que parece saída de um filme aconteceu no Hospital do Câncer de Londrina, no Paraná. Enquanto era submetido a uma delicada cirurgia para retirada de um tumor cerebral, o cantor Lincoln Furtado, de 33 anos, conhecido artisticamente como Maldonado, permaneceu acordado, cantou e tocou viola diante da equipe médica.
O procedimento chamou a atenção nas redes sociais após o neurocirurgião responsável compartilhar imagens da operação. O vídeo rapidamente viralizou ao mostrar o músico interpretando a canção “Chora Viola” enquanto os médicos trabalhavam para remover o tumor localizado no lado esquerdo do cérebro, região responsável por importantes funções da linguagem.
Embora impressione quem vê pela primeira vez, a chamada cirurgia cerebral com o paciente acordado é uma técnica cada vez mais utilizada em casos em que o tumor está próximo das áreas que controlam a fala, os movimentos ou outras funções essenciais do organismo.
Durante todo o procedimento, Lincoln conversou normalmente com a equipe, respondeu às perguntas dos especialistas e continuou tocando seu instrumento. Cada palavra pronunciada e cada acorde executado permitiam aos médicos monitorar, em tempo real, o funcionamento do cérebro, reduzindo o risco de sequelas e aumentando a precisão da cirurgia.
Segundo o neurocirurgião Victor Batistela, essa técnica oferece maior segurança justamente porque possibilita identificar imediatamente qualquer alteração nas funções cerebrais durante a retirada do tumor. Dessa forma, os profissionais conseguem preservar ao máximo as áreas saudáveis do cérebro, mantendo capacidades fundamentais como a comunicação.
A operação foi concluída com sucesso. Apenas dois dias depois, Lincoln recebeu alta hospitalar e retornou para sua casa, em Cambé, no norte do Paraná, levando consigo uma história que une coragem, música e os avanços da medicina.
Mais do que um episódio inusitado, o caso demonstra como a neurocirurgia evoluiu nas últimas décadas. O que antes parecia impossível — um paciente consciente, cantando e tocando enquanto é operado no cérebro — hoje representa uma das técnicas mais modernas para garantir tratamentos cada vez mais seguros e eficazes.
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