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Para quem o alfredense torcerá neste domingo?

Jornalista Mauro Demarchi, 18/07/202618/07/2026
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🔥 3 min 41 s lidos
⏱️ média: 1 min 50 s

Argentina e Espanha decidem a Copa em um duelo que reúne história, política, religião e até uma antiga rivalidade colonial

A pergunta foi simples, feita em um grupo de WhatsApp de Alfredo Wagner:

“Para quem você torcerá no domingo?”

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As opções eram apenas as duas seleções que disputarão o título mundial: Argentina ou Espanha.

O resultado, até o momento, revela uma pequena vantagem espanhola. A Espanha recebeu 23 votos, contra 18 da Argentina. Outros cinco participantes disseram que não torcerão por nenhuma das duas seleções.

É claro que uma enquete realizada em um grupo de WhatsApp não representa necessariamente a preferência de toda a população de Alfredo Wagner. Mas o resultado oferece um curioso retrato da expectativa local diante de uma final que, além do futebol, carrega uma impressionante quantidade de histórias.

E talvez seja justamente isso que torna esta Copa tão interessante

No domingo, não estarão em campo apenas onze jogadores contra onze jogadores.

De um lado, a Argentina, antiga colônia espanhola, representante de uma América que, há séculos, deixou de ser apenas território colonial e construiu sua própria identidade, sua própria cultura e sua própria história.

Do outro, a Espanha, uma das antigas potências coloniais europeias, país que atravessou séculos de império e que deixou sua língua e sua cultura espalhadas por grande parte do continente americano.

É como se a antiga colônia e a antiga metrópole se encontrassem novamente — desta vez, não em uma guerra de independência, mas em um campo de futebol.

E há ainda um detalhe curioso: enquanto a Argentina nasceu como uma república independente, a Espanha continua sendo uma monarquia constitucional.

O contraste fica ainda mais interessante quando se observa a outra semifinal

Amanhã, Inglaterra e França disputarão a decisão do terceiro e quarto lugares. E, nesse confronto, a história também estará presente nas arquibancadas.

A Inglaterra entrará em campo ao som de “God Save the King” — Deus Salve o Rei.

A França, por sua vez, cantará “La Marseillaise”, o hino que nasceu no ambiente revolucionário francês e se tornou um dos símbolos da Revolução que derrubou a monarquia e levou o rei Luís XVI à guilhotina.

E, como se não bastasse, a França tem uma personagem histórica que parece saída de um roteiro cinematográfico: Santa Joana d’Arc.

A jovem camponesa que se tornou símbolo nacional francês liderou tropas contra os ingleses durante a Guerra dos Cem Anos e entrou para a história como uma das figuras responsáveis pela recuperação de territórios franceses ocupados pelos ingleses.

Assim, quando Inglaterra e França entrarem em campo, haverá também uma espécie de eco distante de séculos de guerras, reis, revoluções e heróis.

Mas o duelo de domingo talvez seja ainda mais curioso

Argentina e Espanha.

Uma nasceu como colônia da outra.

Uma representa a América independente.

A outra, a Europa que um dia atravessou o oceano para conquistar territórios.

Uma é uma república presidencialista.

A outra mantém uma monarquia constitucional.

E, apesar de toda essa história, provavelmente o que mais importará aos jogadores será uma bola, duas traves e noventa minutos de futebol.

É essa a curiosidade do esporte.

Ele consegue transformar séculos de história em uma partida de domingo.

O torcedor argentino talvez veja na seleção a força da América Latina, a paixão, a resistência e a identidade de um povo que construiu seu próprio caminho depois da independência.

O torcedor espanhol talvez veja a tradição, a técnica, a força de uma das grandes escolas do futebol mundial e, quem sabe, a oportunidade de conquistar mais uma estrela.

Já o alfredense que não torcerá para nenhuma das duas seleções poderá simplesmente assistir ao espetáculo — ou torcer contra o empate, contra a prorrogação e contra os pênaltis.

A enquete realizada no grupo mostra, por enquanto, uma pequena vantagem da Espanha.

Mas futebol não se decide em pesquisa de opinião.

Nem em grupo de WhatsApp.

Nem pela história.

Nem pela geografia.

Nem pela política.

No domingo, a Espanha terá os seus argumentos. A Argentina, os seus.

E, quando a bola rolar, toda a história ficará momentaneamente suspensa.

Por noventa minutos — ou talvez mais — não haverá colônia nem metrópole.

Não haverá monarquia contra república.

Não haverá Europa contra América.

Haverá apenas uma final de Copa do Mundo.

E, ao final, uma seleção levantará a taça.

Enquanto isso, em Alfredo Wagner, pelo menos na enquete realizada até agora, a Espanha começa a partida com uma pequena vantagem: 23 votos contra 18 da Argentina.

Mas, como todos sabemos, no futebol a vantagem antes do jogo vale muito pouco.

A decisão começa no domingo. E, até lá, cada alfredense já terá escolhido o seu lado.

Tempo de leitura5 min

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