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A indignação com as condições da BR-282 ecoou forte na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Em um discurso contundente na tribuna, o deputado estadual Lucas Neves disparou críticas severas contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Governo Federal, classificando o cenário atual como um verdadeiro “descaso com os catarinenses”.
Propaganda vs. Realidade
De acordo com o parlamentar, existe um abismo entre o discurso oficial e a realidade das pistas. Enquanto Brasília promove campanhas publicitárias prometendo a duplicação da rodovia, o estado enfrenta a escassez de recursos até para intervenções básicas: não há verba sequer para a execução de 15 quilômetros de terceiras faixas.
O pano de fundo dessa crise é o corte orçamentário. Este ano, os recursos do DNIT para Santa Catarina foram reduzidos pela metade, despencando para R$ 480 milhões. O corte evidencia uma distorção histórica: apesar de enviar bilhões de reais em impostos para a União, o estado precisa “mendigar” por verbas de manutenção viária. O projeto para as terceiras faixas no trecho entre o Litoral e a Serra, prometido para este semestre, já foi adiado e segue sem previsão orçamentária.
O Impacto no Meio-Oeste Catarinense
Embora o foco inicial do protesto seja o trecho da Serra, o Meio-Oeste sente o impacto de forma direta. A BR-282 funciona como a principal artéria econômica da região, sendo vital tanto para o turismo quanto para o escoamento da produção agropecuária.
Na prática, motoristas enfrentam diariamente:
- Riscos constantes de acidentes devido à falta de áreas seguras para ultrapassagem.
- Filas intermináveis de caminhões que travam o fluxo regional.
- Manutenção precária nos trechos que cortam os perímetros urbanos.
Estatística Alarmante: Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam a BR-282 como a segunda rodovia federal mais letal de Santa Catarina, superada apenas pela BR-101. A ausência de pistas duplas ou terceiras faixas resulta em colisões frontais e mortes registradas semanalmente.
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