Há um silêncio na história que não é fruto do esquecimento natural, mas do efeito colateral do tempo e das conveniências burocráticas. No coração de Alfredo Wagner, a comunidade hoje conhecida como Catuíra carrega em suas entranhas o peso e a glória de ter sido a Colônia Militar Santa Tereza, marco pioneiro da presença do Império na defesa da Estrada Desterro-Lages e ponto focal de integração do território catarinense desde meados do século XIX.
A transição de Santa Tereza para Catuíra não nasceu de um desejo de seus moradores, tampouco de uma evolução cultural espontânea. Em 1940, em plena era das reordenações administrativas do Estado Novo, o surgimento do Hospital-Colônia de tratamento de hanseníase em São Pedro de Alcântara — batizado também com o nome da santa.
Este hospital-colônia funcionava como uma pequena cidade isolada. Contava com pavilhões de internação, delegacia, cadeia, igreja, teatro e comércios.
O fato levou o governo a alterar a denominação do nosso antigo distrito para evitar duplicidades cartoriais e postais. Uma solução técnica da época que, involuntariamente, obscureceu quase um século de pioneirismo e apagou o nome batismal de uma terra elevada a distrito ainda em 1895.
A memória, contudo, recusa-se a desaparecer quando guardada pelo povo. Enquanto os mapas oficiais adotavam a nova toponímia, a comunidade preservou sua essência. Exemplo vivo dessa resistência silenciosa foi a Paróquia Luterana local, que manteve o nome de Santa Tereza em seus registros oficiais por décadas, mantendo acesa a chama da verdadeira identidade da localidade até a emancipação do município.
Hoje, às vésperas dos 175 anos do ato imperial que deu origem à histórica colônia, assistimos a um movimento singular de consciência coletiva. Lideranças comunitárias, historiadores, cidadãos e autoridades dos poderes Executivo e Jurídico de Alfredo Wagner vislumbram a oportunidade histórica de promover um ato de justiça e reparação: a restituição oficial do nome Distrito de Santa Tereza.
Restaurar o nome original não é apagar o passado recente de Catuíra, mas sim devolver ao distrito sua certidão de nascimento. É permitir que o turismo histórico, a identidade cultural e o orgulho das futuras gerações se reancorem na verdadeira dimensão da Colônia Militar.
Paralelamente a essa reparação nominal, surge uma oportunidade urbanística e humana de igual valor: a criação do Panteão e Memorial Alfredense onde hoje se encontra o antigo cemitério da Catuíra.
O projeto visa solucionar um drama antigo de preservação: resgatar com dignidade e respeito ecumênico os restos mortais dos pioneiros cujos túmulos foram castigados pelo tempo e pelo vandalismo no cemitério antigo, depositando-os em um ossuário monumental. Mais do que isso, o Panteão nasce com a vocação de ser a última morada e o espaço de homenagem permanente aos homens e mulheres que dedicaram suas vidas ao desenvolvimento de nossa cidade, transformando um local de abandono em um parque memorial, ponto de visitação pedagógica e símbolo de união entre as tradições religiosa e civil do município.
O resgate de Santa Tereza e a construção do Panteão são gestos que elevam Alfredo Wagner no cenário cultural catarinense. Demonstram uma cidade madura, que não apenas olha para o futuro, mas sabe honrar as pedras sobre as quais foi edificada. A história nos chama a fazer essa reparação; cabe a nós, comunidade e poder público, responder a esse cham