Especialista explica como novas tecnologias aumentam a durabilidade dos móveis planejados e reduzem prejuízos causados por infiltrações e umidade
Quem nunca ouviu a recomendação de manter água longe dos móveis planejados? Basta uma infiltração silenciosa, um vazamento na cozinha ou a exposição constante à umidade para que portas empenem, painéis estufem e armários precisem ser substituídos muito antes do esperado. O problema, comum em imóveis de todo o país, pode começar a perder força com a chegada de uma nova geração de materiais para a marcenaria.
Tecnologias que substituem a composição tradicional dos painéis começam a ganhar espaço no mercado e oferecem maior resistência à água, estabilidade estrutural e vida útil mais longa aos móveis planejados. Entre elas está a tecnologia Alucomobile, um painel estrutural produzido em alumínio, que pode ser trabalhado com os mesmos equipamentos utilizados pelas marcenarias, mas elimina uma das principais limitações do MDF convencional: o estufamento provocado pela umidade.
Para o designer de interiores e especialista em marcenaria de alto padrão Deiveson Ricardo de Oliveira, essa transformação representa um dos avanços mais importantes do setor nas últimas décadas. “Grande parte dos problemas enfrentados pelos consumidores não está relacionada ao projeto, mas ao comportamento do material ao longo do tempo. Quando há infiltração ou contato constante com a umidade, o painel pode absorver água, deformar e comprometer todo o móvel. As novas tecnologias surgem justamente para reduzir esse tipo de problema”.
Além da resistência à água, esses materiais também ajudam a minimizar outro desafio recorrente: o empenamento de portas altas, painéis extensos e estruturas de grandes dimensões. “Quanto maior a estabilidade do material, menor a chance de deformação ao longo dos anos. Isso significa menos manutenção e maior durabilidade para quem investe em móveis planejados”.
A inovação acompanha uma transformação mais ampla da indústria moveleira. A evolução das máquinas e dos processos de fabricação fez com que a marcenaria deixasse de priorizar apenas a estética para incorporar desempenho, precisão e engenharia aos projetos. Hoje, os consumidores buscam móveis que, além de bonitos, suportem o uso intenso e as condições do ambiente. Esse movimento também impulsiona a adoção de formas orgânicas, curvas e soluções que, até pouco tempo atrás, eram inviáveis para grande parte das marcenarias.
Embora esses materiais ainda estejam em fase inicial de adoção no Brasil, especialistas acreditam que a tecnologia deve seguir o mesmo caminho de outras inovações da construção civil: primeiro chega aos projetos de alto padrão e, à medida que ganha escala, torna-se acessível a um público cada vez maior.
“Assim como aconteceu com diversos materiais hoje amplamente utilizados na construção civil, a expectativa é que essas soluções se tornem mais acessíveis nos próximos anos. O consumidor está cada vez menos disposto a trocar móveis por causa de infiltrações ou da umidade. Durabilidade deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência”, finaliza Oliveira.
Sobre
Deiveson Ricardo de Oliveira é designer de interiores e especialista em marcenaria de alto padrão, com mais de 18 anos de experiência no desenvolvimento e execução de mobiliário sob medida para projetos residenciais e corporativos. Tecnólogo em Design de Interiores, atua na integração entre concepção criativa e viabilidade técnica, transformando projetos complexos em soluções funcionais e de alto desempenho. É fundador da Estúdio Carioca, empresa sediada em Belo Horizonte, e participou da execução de ambientes em importantes mostras de arquitetura e design, como CASACOR, Modernos Eternos e Morar Mais. Sua atuação acompanha as transformações da marcenaria, com foco em inovação, novos materiais, tecnologia aplicada ao mobiliário e tendências do morar contemporâneo.