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PL fecha chapa ao Senado em SC e isola Amin: estratégia ousada ou risco calculado?

Jornalista Mauro Demarchi, 26/02/202626/02/2026

A decisão do PL de lançar Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni ao Senado por Santa Catarina, deixando de fora o antigo aliado de Jair Bolsonaro, o senador Esperidião Amin, muda o tabuleiro político do Estado para 2026.

O anúncio foi feito pelo senador Flávio Bolsonaro, ao lado do governador Jorginho Mello e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, consolidando um palanque 100% bolsonarista em Santa Catarina.

A movimentação rompe, na prática, o entendimento que vinha sendo costurado com o PP e que poderia manter Amin na chapa. O gesto sinaliza duas coisas: primeiro, que o PL decidiu priorizar identidade ideológica acima de alianças tradicionais; segundo, que aposta na força do eleitorado conservador catarinense como base suficiente para sustentar duas candidaturas próprias ao Senado.

A questão Amin: perda ou depuração de votos?

A dúvida que surge é inevitável: ao “rifar” Amin, o PL corre o risco de fragmentar o eleitorado da direita?

Amin não é apenas um nome histórico da política catarinense. Ele carrega um capital eleitoral consolidado, especialmente entre eleitores mais tradicionais e menos alinhados ao bolsonarismo raiz. Caso decida disputar a reeleição de forma independente ou por outro arranjo partidário, pode atrair uma parcela significativa desse eleitorado — inclusive votos que poderiam migrar para Carlos Bolsonaro.

Por outro lado, há quem avalie que o PL fez uma conta fria: manter Amin significaria dividir protagonismo e negociar espaço. Ao optar por Carlos e Carol, o partido aposta na mobilização ideológica pura, na fidelização do voto conservador e na força da marca Bolsonaro no Estado.

O fator Carlos Bolsonaro

A candidatura de Carlos Bolsonaro é, sem dúvida, a mais controversa. Embora tenha declarado vínculos com Santa Catarina, construiu sua trajetória política no Rio de Janeiro. Seus apoiadores argumentam que sua identidade ideológica pesa mais que a geográfica. Seus críticos sustentam que a falta de enraizamento local pode ser explorada pelos adversários.

Se Amin permanecer no páreo, o discurso de “catarinense raiz” versus “candidato importado” pode ganhar força — e isso tende a embaralhar o cenário.

Carol de Toni consolidada

Já Carol de Toni parece ter saído fortalecida. Com crescimento nas pesquisas e apoio explícito do núcleo bolsonarista, consolidou-se como peça central da estratégia para formar um Senado mais alinhado à direita.

Sua permanência no PL também evita um desgaste maior dentro do partido e reforça a unidade interna após ruídos recentes.

Estratégia de alto risco

Politicamente, o PL escolheu a coerência ideológica em detrimento da composição ampla. É uma estratégia de alto risco e alta recompensa. Se o eleitorado conservador se mantiver coeso, o partido pode eleger os dois senadores e ampliar sua força nacional. Se houver divisão no campo da direita, o efeito pode ser o oposto: abrir espaço para adversários ou fragmentar votos decisivos.

No fim, a resposta dependerá menos dos bastidores de Brasília e mais do humor do eleitor catarinense. A grande incógnita agora é o próximo movimento de Esperidião Amin. Se entrar na disputa, o jogo deixa de ser matemático e passa a ser emocional — e eleições, especialmente em Santa Catarina, costumam ter muito dos dois elementos.

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