A decisão do PL de lançar Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni ao Senado em Santa Catarina redesenha o cenário de 2026 e cria uma equação política delicada: dois candidatos do mesmo partido disputando duas vagas em um ambiente onde há nomes competitivos fora da chapa.
Entre eles, o senador Esperidião Amin, historicamente vinculado ao PP, legenda que figura entre as maiores do Estado em número de filiados.
Amin é Fiel, mas não Qualificado
Flávio Bolsonaro, ontem pela manhã, em entrevista coletiva na saída da visita ao seu pai, preso na Papudinha, afirmou que “Santa Catarina é um lugar em que ele (Jair Bolsonaro) já tem a decisão tomada. O governador Jorginho é o candidato à reeleição e os nossos dois pré-candidatos ao Senado são Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro. Inclusive conversei com o Amin ontem aqui no Senado Federal. É uma pessoa que sempre foi muito próxima de nós, vota conosco, pensa como a gente também, mas na política é assim que funciona. Lá o palanque está definido, porque são pessoas qualificadas — resumiu.
A Matemática dos Filiados
Os dados partidários em Santa Catarina ajudam a entender o pano de fundo da disputa:
- MDB: 182.723 filiados
- PP: 125.052
- UNIÃO: 96.111
- PSDB: 95.961
- PT: 64.478
- PL: 63.073
- PSD: 55.685
- PDT: 41.177
- PRD: 31.831
- PODEMOS: 25.240
O dado que mais chama atenção é o crescimento expressivo do PL: 25,5% apenas em 2024, saltando de pouco mais de 50 mil para 63.073 mil filiados. É um avanço relevante, mas ainda coloca o partido atrás de MDB, PP, União e PSDB em volume absoluto, perdendo ainda no Estado para o PT pela diferença de 1.475 filiados à sigla.
No papel, isso significa que Amin parte de uma base orgânica maior dentro do próprio partido, além de ter estrutura municipal consolidada ao longo de décadas. Já o PL aposta na força da marca bolsonarista e na mobilização ideológica recente.
Divisão Interna: Risco Real?
Com duas candidaturas competitivas na mesma legenda, surge um desafio natural: a distribuição de votos. Em eleições para o Senado, o eleitor pode votar em dois nomes. A estratégia do PL depende de um voto “casado” — Carlos + Carol — funcionando de forma coordenada e unidos.
Ao descartar Amin, o PL descarta também, em tese, 125.052 filiados do PP o que pode não ser estratégico.
Carol de Toni, embora fortalecida politicamente dentro do partido, pode enfrentar o desafio de compartilhar espaço com um nome de maior projeção nacional dentro da própria chapa, mas com rejeição crescente dentro do Estado.
Já forasteiro Carlos Bolsonaro aposta na popularidade de Carol de Toni e na desistência de Amin, para alavancar seus votos e assumir o Senado. Conseguirá?
O Fator Gênero
É comum surgir a tese de que o eleitorado feminino tenderia a votar majoritariamente em homens, mas os dados eleitorais brasileiros não indicam uma regra automática nesse sentido. O comportamento do voto feminino costuma variar mais por identificação ideológica, pautas defendidas e imagem pública do que propriamente pelo gênero do candidato.
Portanto, reduzir a disputa a uma variável de gênero pode simplificar demais um cenário que é, na prática, multifatorial.
Amin como Fiel da Balança
Se confirmar candidatura, Esperidião Amin tende a ocupar um espaço estratégico: o do eleitor conservador tradicional que não necessariamente deseja aderir integralmente ao bolsonarismo.
Nesse caso, o cenário mais provável deixa de ser uma polarização simples e passa a ser uma disputa tripla dentro do mesmo campo ideológico. E aí reside o risco para o PL: a fragmentação.
Conclusão: Estrutura Versus Onda
O crescimento acelerado do PL em número de filiados mostra vitalidade, mas filiação partidária não é voto automático. Estrutura municipal, capilaridade histórica e recall eleitoral continuam pesando.
A disputa pelo Senado em Santa Catarina, ao que tudo indica, não será apenas ideológica — será matemática.
E, em eleições majoritárias, matemática mal calibrada costuma cobrar preço alto.
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