O Apostolo, Florianópolis, 1 de Julho de 1956

Cada comunidade que compõe o município de Alfredo Wagner teve um pioneiro que fincou a enxada em seu solo e disse: é aqui! Estes pioneiros merecem ter sua história resgatada e publicada para conhecimento das novas gerações.

A fundação da Colonia Militar de Santa Thereza, hoje Catuíra, está inteiramente ligada ao Império do Brasil em decreto rubricado pelo Imperador Dom Pedro II. Outras comunidades foram surgindo após a o estabelecimento das tropas e o progresso da colonia.

O ódio a tudo que representava o Império fez com que Floriano Peixoto descarregasse sua ira sobre o florescente Estado de Santa Catarina (a Princesa Isabel tinha propriedades aqui, inclusive uma mina de carvão em produção no município de Orleans). Entrementes mandava assassinar políticos e a elite monarquista catarinense, forçou a busca por novos trajetos para desviar da florescente Colônia Militar Santa Thereza criada pelo decreto imperial. O trajeto encontrado mudou a história do nosso município.

Voltemos ao Barracão…

Este nome é comum em Santa Catarina para designar paragens onde cavaleiros e tropas faziam seu descanso entre um dia e outro nas andanças pelas estradas de difícil acesso. Uma pesquisa rápida em jornais antigos mostrou mais de 100 citações com destaque para o Barracão de Gaspar (o mais citado), de Brusque, Orleans, etc. Nosso Barracão foi encontrado apenas 3 vezes e todas as citações são do  jornal católico de Florianópolis “O Apóstolo”.

Barracão ficou e após ser distrito por três anos, tornou-se a sede do belo e encantador município de Alfredo Wagner, a Capital Catarinense das Nascentes.

Mas então, quem fundou o Barracão?

Algumas tentativas de povoamento na barra dos Rios Caeté e Rio Adaga esbarraram no periódico problema de enchentes. Entretanto, alguém encontrou um lugarzinho e ali se fixou. Segundo o jornal católico de Florianópolis, “O Apóstolo” de 1956 o nome deste pioneiro foi Sebastião António Pereira.

Sebastião António Pereira, ou Bastião da Gracinda, como era mais conhecido (Gracinda era o nome de sua mãe), nascido em 1878 na Colônia Militar de Santa Thereza, casou-se em 1902 com Izaurinha da Cunha Pereira e seus filhos Felisbino, Santolina, Rodolfo e Guilhermina, lhes deram (à época da matéria publicada no jornal mencionado) 14 netos e 3 bisnetos.

Adquiriu terras no Barracão e ali começou a trabalhar como sapateiro desbravando as matas agrestes que haviam em torno. Em 1913 tornou-se estafeta (carteiro) levando a mala postal de Barracão a Rio do Sul e de Barracão a Santo Amaro.

Seu relacionamento com os índios era dos melhores. Durante todo o período em que viajou como carteiro nunca foi atacado por eles, sendo respeitado e respeitando os bugres.

Católico fervoroso fez diversas doações em terras e dinheiro para a capela que inciava sua caminhada e seria no futuro a sede da Paróquia Bom Jesus de Alfredo Wagner. Foi ele que conseguiu a Imagem do Bom Jesus “emprestada” e que por sugestão do Pároco de Santo Amaro não foi devolvida… Veja o artigo: Esqueceram do Bom Jesus

Era respeitado não apenas pelos índios, seus amigos tinham muita consideração por ele. Os mais jovens não gostavam de sua sisudez. Conversando com um senhor que já passa dos 80 anos e que conheceu o Bastião da Gracinda já velho, contou que certa vez apanhou uma surra do pai por causa de um mal-entendido entre eles.

Sebastião António Pereira (78) e sua esposa Izaurinha da Cunha Pereira (84).
Sebastião António Pereira (78) e sua esposa Izaurinha da Cunha Pereira (84) em clichê publicado no jornal católico de Florianópolis “O Apóstolo”.

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