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Evolução da Oncologia nas últimas quatro décadas

Imprensa, 15/09/2021
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Oncologia evoluiu nas últimas décadas como nenhuma outra área da medicina, diz presidente da SBOC

Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) completa 40 anos e faz balanço de como a especialidade prosperou ao longo desse período

Em 1963, quando foi criada a Sociedade Brasileira de Quimioterapia Antineoplásica, em Belo Horizonte (MG), nascia a primeira entidade médica voltada ao tratamento do câncer no país. Contudo, suas atividades foram interrompidas com a morte de seu presidente, o médico baiano Dalmo Carvalho Rodrigues. Dezesseis anos depois, durante um simpósio em Porto Alegre (RS), a entidade ressurgiu com novo nome, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), para, em 1981 ser oficialmente fundada.

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“Estávamos vindo de um enorme congresso sobre cancerologia, pois na época nem usávamos muito o termo oncologia, e percebemos que havia interesse amplo da classe médica no assunto: cirurgiões, radioterapeutas, clínicos…”, lembra Dr. Gilberto Luis Santos Salgado, membro-fundador da SBOC.

A história de fundação da SBOC se confunde com a da própria prática sistematizada da oncologia clínica no país – isto é, do cuidado mais amplo para o diagnóstico e tratamento das diferentes neoplasias. Até então, a oncologia clínica era uma área ainda pouco difundida no país, mas que, com a atuação da SBOC, foi se tornando uma das especialidades mais fortes da medicina nacional. “Hoje é quase impossível pensar em praticar oncologia clínica no país sem ter vínculos com a SBOC”, avalia Dr. Roberto de Almeida Gil, membro da entidade desde 1981.

Criada com o propósito principal de gerar conhecimento para os médicos que tratavam pacientes com câncer, a SBOC passou a aturar em diversas outras frentes, como incentivo à pesquisa, políticas de saúde, defesa profissional, relações nacionais e internacionais. “Era difícil imaginar que conheceríamos tanto sobre câncer como hoje, e ainda mais inimagináveis as tantas inovações no tratamento e no diagnóstico, permitindo cada vez mais a cura em muitos casos e mesmo lidar com a doença como uma condição crônica”, avalia a presidente da Sociedade, Dra. Clarissa Mathias.

AVANÇOS CONTRA O CÂNCER E A PARTICIPAÇÃO DA SBOC

Na época da criação da SBOC, a quimioterapia já havia sido descoberta – o que ocorreu no fim dos anos 50 e é considerado o primeiro grande marco da oncologia. Porém, pouco se sabia sobre os diferentes tipos de cânceres, que são únicos e complexos. Foi no final dos anos 90 que tudo começou a avançar, com o lançamento do primeiro anticorpo monoclonal quimérico, em 1997, um passo importante na evolução dos tratamentos. Pouco tempo depois, em 2001, o genoma humano foi sequenciado pela primeira vez e o primeiro quimioterápico via oral foi lançado – um medicamento que revolucionou o tratamento de pacientes com leucemia, agindo diretamente na alteração genética que causa a doença.

“Ao longo de todos esses avanços, a SBOC protagonizou grandes conquistas e foi se estabelecendo como a maior interlocutora da oncologia clínica nacional, atuando fortemente no amadurecimento da área no Brasil“, diz Dra. Clarissa Mathias. “A especialidade estava mudando muito e a SBOC já agia para permitir que oncologistas e pacientes estivessem a par desses avanços científicos enormes e das melhores práticas”, completa.

Em 2011, a primeira imunoterapia para câncer foi aprovada, um tratamento que potencializa o sistema imunológico para que ele combata os tumores. “As opções de classes terapêuticas foram se expandindo, permitindo que os mais diversos tipos e subtipos de câncer tivessem tratamento. E a SBOC, ao lado da sociedade civil e com o poder público, foi lutando para que toda essa inovação se tornasse acessível à população por meio da rede pública e da saúde suplementar”, conta o diretor executivo da entidade, Dr. Renan Clara.

A atuação da SBOC nesse período foi extremamente relevante.  Em 2017, a entidade foi escolhida para ser a representante oficial da Associação Médica Brasileira (AMB) em todos os assuntos relacionados à oncologia. “Esse passo nos ajudou a ser mais reconhecidos e trabalhar cada vez mais pelas melhores práticas na atuação oncológica no Brasil”, afirma Dra. Clarissa Mathias.

Nos anos seguintes, a SBOC atuou ativamente na defesa do acesso da população aos avanços da ciência oncológica. Entre as principais conquistas nessa área estão a incorporação de tratamentos modernos pela rede pública e saúde suplementar, como:

  • Terapias-alvo (quimioterápicos orais): trastuzumabe (2017) e pertuzumabe (2018) para tratamento de câncer de mama;
  • Terapias-alvo (quimioterápicos orais): pazopanibe e sunitinibe (2018) para tratamento de câncer renal; e
  • Imunoterápicos: nivolumabe e pembrolizumabe (2020) para tratamento de câncer de pele do tipo melanoma.

Em 2020, diante de tantos desafios, a SBOC conseguiu engajar médicos e hospitais para entender e reduzir os impactos da pandemia no cuidado oncológico, realizando uma pesquisa nacional sobre as relações entre a COVID-19 e o câncer. Além disso, após dois anos desde a maior submissão de tecnologias por uma única entidade ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a SBOC celebrou a incorporação de 14 dos 26 medicamentos e procedimentos defendidos por seus especialistas. “É com muito orgulho que contamos a história da SBOC e destacamos o quanto contribuímos com o acesso a melhores opções terapêuticas, pois essa é uma de nossas maiores prioridades”, comenta Dra. Clarissa.

A SBOC também respondeu, no ano passado, ao chamado da Organização Mundial de Saúde (OMS) e se reuniu com outras sociedades médicas, associações de pacientes, o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde para planejar como eliminar o câncer no colo do útero no Brasil e no mundo nos próximos anos.

Diante da importância crescente da especialidade, a SBOC tem se aprimorado constantemente como agente reflexivo, propositivo, colaborativo e realizador, visando contribuir para o fortalecimento da oncologia no Brasil e no mundo.

Para 2022, a SBOC permanecerá se dedicando a reverter o cenário de atrasos em diagnósticos e tratamento. “Queremos ajudar a ampliar o acesso aos avanços no tratamento oncológico, com o intuito de melhorar o controle do câncer no Brasil e impactar positivamente na qualidade de vida dos pacientes”, finaliza Dra. Clarissa.

SOBRE A SBOC – SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA CLÍNICA

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) é a entidade nacional que representa mais de 2,5 mil especialistas em oncologia clínica distribuídos pelos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal. Fundada em 1981, a SBOC tem como objetivo fortalecer a prática médica da Oncologia Clínica no Brasil, de modo a contribuir afirmativamente para a saúde da população brasileira. É presidida pela médica oncologista Dra. Clarissa Mathias, eleita para a gestão do biênio 2019/2021.

Edelman

Leila Justo

Tempo de leitura6 min

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