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Natal de 1860 na Colônia Militar Santa Teresa

Jornalista Mauro Demarchi, 23/12/202423/12/2025

Imagine, leitor, voltar no tempo e chegar na Noite de Natal na colônia mais afastada e solitária do Estado, quando não haviam piscas-piscas, luzes elétricas, internet e redes sociais. Isolados como sentinelas da Serra, os soldados-colonos da Colônia Militar Santa Tereza, recém fundada, viviam e celebravam também o Natal.

Como seria?
Vamos comemorar com nossos antepassados nesta história imaginária?

A noite descia suavemente sobre a Colônia Militar Santa Teresa, e o ar frio da serra trazia consigo o aroma de pinheiros e madeira queimada. Era véspera de Natal, e toda a pequena comunidade se reunia na capelinha de madeira, simples, mas repleta de simbolismo, que havia sido erguida pelos soldados colonos e suas famílias poucos anos após a fundação da colônia por decreto imperial. Embora rudimentar, a capelinha possuía ornamentos e paramentos dignos, cuidadosamente preservados pelos fiéis.

Localizada no coração da serra catarinense, a colônia ficava equidistante de Desterro e Lages, conectada por estradas que eram quase picadas. O isolamento era frequentemente quebrado por tropas de gado que subiam e desciam a serra, trazendo um sopro de novidade e conexão com o mundo exterior.

As velas de cera de abelha e lamparinas projetavam sombras dançantes nas paredes de madeira, criando uma atmosfera de aconchego e solenidade. No altar, um presépio feito com argila local, modelado pelas mãos habilidosas das esposas e filhos dos soldados, representava a cena do nascimento de Cristo. Pequenos ramos de pinheiro e flores silvestres colhidas nas redondezas decoravam o interior, enquanto um pequeno sino, trazido de longe, aguardava o momento de anunciar as orações da noite.

As famílias chegaram aos poucos, trajando suas melhores roupas, embora modestas. Os soldados vestiam seus uniformes cerimoniais, ainda que um pouco desgastados pelo tempo. Havia um clima de expectativa e alegria contida. As crianças corriam ao redor da capela, brincando na área aberta, enquanto os adultos trocavam saudações calorosas, compartilhando notícias e risos.

Dada a ausência de um sacerdote, as orações eram dirigidas pelos próprios fiéis, que se alternavam na condução dos cantos e das leituras bíblicas. Naquela noite, coube ao sargento José Antônio liderar as devoções. Com voz firme, mas emocionada, ele leu a narrativa do nascimento de Jesus no Evangelho de Lucas e conduziu um momento de reflexão e agradecimento. “Hoje celebramos não apenas o nascimento de Nosso Senhor, mas também a fé que nos une e a esperança de um futuro próspero para nossa colônia e nossas famílias”, disse ele, entrecortado pelo som do vento que soprava do lado de fora.

Ao término das orações, todos se reuniram no largo em frente à capela. Uma fogueira foi acesa, e ao redor dela formou-se um círculo de música e alegria. Alguns soldados trouxeram violas e acordeões, entoando modinhas e canções natalinas aprendidas em suas terras natais. O cheiro de churrasco se misturava ao do ar fresco da serra, enquanto pedaços de carne assavam lentamente sobre as brasas. As crianças corriam entre os adultos, rindo e brincando, enquanto as mães distribuiam bolinhos de fubá e chá de ervas, feitos com ingredientes locais.

Uma das tradições mais aguardadas era a troca de presentes, uma novidade para muitos, trazida por alguns soldados de outras regiões do país. Os presentes eram simples: um lenço bordado, um pequeno brinquedo de madeira, um pedaço de pano colorido ou até mesmo sementes para plantar. Cada objeto carregava um significado especial, representando o carinho e a solidariedade que uniam aquela comunidade.

A celebração se estendeu pela noite, com todos partilhando histórias e esperanças para o futuro. O clima era de gratidão e fraternidade, uma lembrança viva de que, mesmo em tempos de dificuldades, o espírito de Natal podia trazer luz e esperança. Para aqueles soldados colonos e suas famílias, aquele Natal de 1860 ficou gravado na memória como um momento de união e fé, um reflexo de sua própria jornada de perseverança e esperança na colônia erguida sob a bênção do império e da providência divina.

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