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Por que nos tornamos menos sociáveis com o tempo?

Imprensa, 09/06/202509/06/2025

Neurocientista brasileiro aponta causas biológicas, cognitivas e existenciais

Uma pesquisa recente da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, publicada na revista PLOS One, indicou que, com o envelhecimento, há mudanças funcionais no cérebro que impactam diretamente a forma como interagimos socialmente.

A análise foi baseada em exames de ressonância magnética funcional de 196 voluntários com idades entre 20 e 77 anos. O estudo identificou dois padrões centrais: conexões mais fortes entre áreas cerebrais ligadas a emoções negativas e rejeição social, e conexões enfraquecidas entre regiões relacionadas ao raciocínio social, linguagem e percepção. O resultado? Menor espontaneidade social e maior sensibilidade a interações negativas ao longo da vida.

A pesquisa, embora promissora, é limitada por seu recorte transversal e a pouca representatividade de idosos. Ainda assim, abre caminho para reflexões profundas sobre o comportamento humano na maturidade especialmente à luz da neurociência contemporânea.

Para aprofundar o tema, consultamos o neurocientista brasileiro Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, Pós-PhD em Neurociências, Mestre em Psicologia, especialista em Genômica Comportamental e Inteligência Humana. Membro da Society for Neuroscience (EUA), da Royal Society of Biology (UK), da The Royal Society of Medicine e de sociedades de alto QI como a Triple Nine Society, Intertel, ISI e Mensa, Dr. Fabiano lidera pesquisas em neuropsicogenética e modelos cognitivos avançados no Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH).

“Sociabilidade reduzida não é declínio: é adaptação”, afirma Dr. Fabiano

“O estudo é válido e tecnicamente bem conduzido, mas todo experimento carrega uma hipótese inicial e mesmo quando ela se confirma, abre margem para interpretações. O cérebro é semântico, ele traduz símbolos, contextos, e se adapta ao meio. Portanto, é natural que existam nuances que escapam a análises puramente funcionais. Isso não invalida o estudo; pelo contrário, ele acende gatilhos para compreendermos a complexidade do comportamento humano sob o viés neuroevolutivo”, explica o neurocientista.

Segundo Dr. Fabiano, com o passar dos anos, o cérebro aprende a encontrar satisfações que vão além da interação social. A introspecção passa a ser fonte de prazer e autorreferência, um processo em que o silêncio ganha valor adaptativo.

“O distanciamento ocorre também porque o cérebro encontra conforto em suas próprias convicções, em não precisar se justificar, em não ser testado. Há prazer na solitude intelectual, desde que não degenerativa”, diz.

A consciência da finitude e o convencimento do desligamento

Dr. Fabiano propõe ainda um conceito que transcende a simples ideia de envelhecimento: o “convencimento do desligamento”.

“Com o acúmulo de vivências, o indivíduo desenvolve uma consciência mais aguda do tempo que resta. Isso cria um paradoxo entre querer aproveitar o momento e, ao mesmo tempo, sentir-se travado pela lucidez da finitude. É como se o cérebro, numa tentativa de enganar o tempo, se organizasse para funcionar em ciclos menores e mais controláveis, economizando energia emocional”, afirma.

Essa estratégia cerebral pode ser vista como o afastamento voluntário do “leão no fim da vida”: uma escolha biológica por economizar recursos, reduzir riscos e priorizar o essencial.

Rigidez de rotina e neuroplasticidade de metas

Outro fator destacado pelo pesquisador é o enrijecimento da rotina, algo que se intensifica com a idade não por preguiça, mas por plasticidade funcional. O cérebro passa a funcionar em padrões otimizados por objetivos: menos estímulo disperso, mais foco em metas pré-definidas.

“A rotina deixa de ser prisão e passa a ser estrutura. Isso é neuroadaptativo. O cérebro se organiza para atingir metas com menos desperdício sináptico. Não é que o idoso não queira sair, mas sim que sair da rotina custa mais, em termos de energia e processamento. E, muitas vezes, ele não vê sentido”, conclui Dr. Fabiano.

Sociabilidade: perda ou escolha neuroestratégica?

Por fim, o neurocientista destaca que a sociabilidade não deve ser romantizada como única via de saúde emocional.

“Sociabilidade é saudável, sim. Mas há diferentes formas de contato humano: o silêncio contemplativo, a introspecção produtiva e os vínculos seletivos também fazem parte da saúde mental. Em vez de ver o idoso como isolado, talvez devêssemos perguntar se ele está, de fato, solitário, ou se simplesmente escolheu o silêncio como sua forma de estar no mundo.”


Referência do estudo citado:
Sato, W. et al. (2024). Age-related alterations in functional connectivity during social interaction: Evidence from fMRI. PLOS One. DOI: 10.1371/journal.pone.xxxxxx

Contato para entrevistas e estudos complementares:
Heráclito Research Center – [email protected]

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