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Um transtorno de personalidade silencioso e funcionalizado na Era da Autenticidade Fabricada: o Esquizotípico Estratégico

Imprensa, 09/06/202509/06/2025

Na era da hipervalorização da imagem racional, da performance sem afeto e da autenticidade como ferramenta de autopromoção, um novo perfil psicológico vem se tornando cada vez mais visível  e perigosamente funcionalizado. Quem levanta o alerta é o neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, pós-PhD em Neurociências e especialista em Genômica Comportamental, que propõe uma leitura atualizada de um transtorno clássico: o esquizotípico estratégico.

“Trata-se de uma nova face da patologia psíquica contemporânea que não grita, não agride, nem transborda afetos desregulados. Pelo contrário: observa, calcula, racionaliza e se disfarça de escuta”, explica o Dr. Fabiano. “É um sujeito que pode parecer ponderado, mas que internaliza uma lógica impermeável ao outro.”

O conceito deriva do transtorno de personalidade esquizotípica, já catalogado no DSM-5 como pertencente ao Cluster A (personalidades excêntricas e socialmente distantes). No entanto, a proposta do pesquisador é que, na contemporaneidade, esse tipo não apenas se preserva, ele adapta-se socialmente, camufla-se, e às vezes até prospera.

“Eles mantêm o contato social, mas sem presença afetiva genuína; escutam, mas apenas para reafirmar internamente suas próprias convicções; dialogam com viés instrumental. E o mais crítico: podem prejudicar o outro sem culpa, porque internalizaram uma racionalização que os exime da responsabilidade moral.”

A adaptação de um distanciamento funcional

De acordo com o neurocientista, esse perfil se diferencia do narcisismo clássico, que busca aprovação explícita e admiração pública. O esquizotípico estratégico, por outro lado, busca controle sobre seu universo interno, mesmo que para isso utilize o outro como instrumento.

“A vaidade aqui não é evidente. Está diluída em um discurso moral, intelectualizado e às vezes até ativista. Mas esse ativismo é instrumental. A causa que defende é uma engrenagem útil em seu sistema interno, desde que possa se beneficiar dela, sem ser afetivamente atravessado.”

Esse tipo de personalidade, segundo o Dr. Fabiano, não é apenas tolerado, mas valorizado em certos meios sociais e profissionais. A frieza é confundida com objetividade; o discurso ininterrupto, com erudição; a ausência de reciprocidade emocional, com maturidade.

“Vivemos uma cultura que celebra a eficiência emocionalmente estérea, o autocontrole como virtude máxima e a linguagem como ferramenta de performance. Isso cria um terreno fértil para esse tipo de personalidade prosperar sem ser detectada.”

Narcisismo, maquiavelismo e um falso altruísmo

O esquizotípico estratégico pode, segundo o autor, incorporar traços de narcisismo e maquiavelismo, mas não como base primária  e sim como estratégias adaptativas.

“O narcisismo é comorbidade, não núcleo. O maquiavelismo se insere como método de mediação social. Mas a estrutura principal permanece sendo o pensamento idiossincrático, desconectado da empatia, com vínculos manipuláveis, sempre subordinados a um modelo interno de realidade.”

Entre os comportamentos típicos, destaca-se o uso de causas sociais como instrumento de validação pessoal. A defesa de minorias ou de discursos progressistas, quando existente, não decorre de empatia real, mas da oportunidade de ganho simbólico ou reputacional.

O impacto invisível e corrosivo

O risco desse perfil não está apenas na dor psíquica individual, muitas vezes, inexistente ou minimamente consciente, mas no desgaste relacional profundo que impõe ao entorno.

“As pessoas ao redor se sentem emocionalmente drenadas, intelectualmente invalidadas ou afetivamente desassistidas. Mas não conseguem nomear a disfunção, porque não há histeria, nem quebras, nem gritos. Há silêncio emocional, racionalização excessiva e discurso fluido.”

O esquizotípico estratégico, aponta o especialista, é aquele que ascende em ambientes corporativos, aparece como ponderado em círculos sociais, e se apresenta como calmo e centrado nas relações afetivas; mas, com o tempo, corrói a mutualidade e esvazia a alteridade autêntica.

A nova psicopatologia do discurso

Para o Dr. Fabiano, o desafio clínico e social do nosso tempo não é mais apenas lidar com os afetos desorganizados, mas identificar a patologia silenciosa da ausência de afeto. Segundo ele, o sofrimento psíquico do século XXI se manifesta também por aquilo que não se sente.

“A ausência de empatia não é exclusividade da psicopatia. Pode ser o silêncio elegante de uma mente impermeável que se considera justa por default. O novo desafio da psicopatologia é reconhecer o sofrimento que não se expressa, mas que instala o vazio relacional em nome de uma razão fria e estrategicamente adaptada.”

Sobre o autor
Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues é Pós-PhD em Neurociências, Mestre em Psicologia, especialista em Genômica Comportamental e Inteligência Humana. Membro da Society for Neuroscience (EUA), da Royal Society of Biology (UK), da The Royal Society of Medicine e de sociedades de alto QI como a Triple Nine Society, Intertel, ISI e Mensa. Desenvolve pesquisas em neuropsicogenética e modelos cognitivos avançados no Heráclito Research Center (CPAH).

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