Hoje o dia está frio, mas o termômetro não chegou a tanto quanto em 2016. A manhã passou sem geada, embora o ar ainda carregue aquele silêncio gelado que só o inverno conhece. Foi então que o Facebook, com seu jeito curioso de reviver memórias, me trouxe de volta uma postagem antiga. Lá estava ela, datada de 12 de junho de 2016 — um domingo, Dia dos Namorados — com a paisagem congelada em palavras e imagens.
Naquela manhã, acordei cedo e fui até o termômetro. Ele marcava -0,5°C. Mas do lado de fora, senti que estava mais frio ainda. A geada cobria tudo com um branco espesso, como se a madrugada tivesse pincelado cada canto da paisagem com calma e capricho. Peguei a máquina fotográfica e saí, guiado mais pela emoção do que pelos pés.
Aqui onde moro, a 400 metros de altitude, protegido pelos morros ao redor, raramente temos esse tipo de espetáculo. A geada, quando vem, costuma ser discreta, quase tímida. Mas naquele dia ela não se conteve. Cobriu o campo, os telhados, as cercas de arame, os troncos das árvores, até o capim amanheceu vestido de gelo. Tudo estava branco. Branquinho. Uma beleza silenciosa.
Enquanto tirava as fotos — foram quinze ao todo —, pensei nas comunidades mais altas da região: Demoras, Lomba Alta, Campinho, Soldadinho, Pinguirito, Pedra Branca, Caeté, Santo Anjo… Lugares onde o inverno se mostra com mais força, onde o vento corre livre pelos descampados e a geada chega cedo, como visita de casa. Imagino que lá o frio tenha sido ainda mais intenso. E mais belo também.
Hoje, ao reler aquelas palavras e rever as imagens, senti que aquele domingo gelado ainda mora dentro de mim. O frio passou, como tudo passa. Mas ficou a lembrança — e, curiosamente, ela aquece. Aquela postagem cheia de gelo virou uma fotografia do tempo, dessas que a gente não imprime, mas guarda no coração.
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