Em meio às movimentadas ruas do Brás, bairro tradicional da cidade de São Paulo, uma história inusitada e comovente atravessa o tempo, ganhando espaço no coração dos fiéis que visitam a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Brás.
Conta-se que, durante uma restauração no interior da igreja, um pintor — conhecido por sua descrença em Deus — estava trabalhando em andaimes altos quando, por descuido, deixou cair uma brocha com tinta. Em vez de descer para pegá-la, como haviam outras ao seu alcance, seguiu seu trabalho.
Mas um pequeno coroinha, que por ali passava, notou algo extraordinário no ponto da parede onde a brocha escorregara: uma imagem singular e tocante do rosto de Cristo havia surgido, sem relação alguma com o restante da pintura. Assombrado e maravilhado, o menino chamou outras pessoas. Aos poucos, o burburinho de curiosos sob o andaime atraiu o próprio pintor, que desceu para ver o que estava acontecendo.
Ao deparar-se com a imagem, o homem ficou em choque. Reconheceu, no desenho formado pelo acaso, uma face perfeita de Cristo — serena, sofrida e sagrada. Diante do inexplicável, caiu de joelhos e, emocionado, iniciou uma oração. Aquela experiência marcaria uma conversão inesperada: aquele que até então negava a existência de Deus passou a testemunhar uma fé renovada.
A imagem foi analisada por especialistas, que não conseguiram encontrar traços de pintura intencional. O formato da Face Sagrada parecia ter surgido apenas pelo deslizar da brocha, como se guiada por uma mão invisível.
Desde então, a imagem tornou-se objeto de veneração silenciosa. Visitantes param diante da parede onde o milagre aconteceu, muitos com lágrimas nos olhos, e uma oração tem sido rezada diariamente pelos devotos que ali se reúnem. Uma das primeiras orações ao Bom Jesus foi composta naquele tempo, e segue tocando os corações até hoje:
Oração ao Senhor Bom Jesus do Brás
Senhor Bom Jesus, sempre fostes o centro dos corações,
na Vossa vida mortal e na Vossa vida eucarística.
Olhai para nós, humildemente Vos suplicamos.
Somos como crianças: e a elas jamais negastes bênção, proteção e carinho.
Somos sofredores, atribulados, sob o peso das nossas misérias:
e Vós sempre fostes o verdadeiro suave conforto.
Quisestes manifestar-nos Vossa bondade,
não por aquilo que era grande, poderoso e permanente na Vossa pessoa divina,
mas por aquilo que era uma transfiguração momentânea na Vossa vida —
homem sofredor, mãos atadas, vestido de púrpura, coroado de espinhos,
pronto para levar a cruz.
Pois é assim que também Vos queremos seguir,
para depois Vos acompanharmos na transfiguração gloriosa da bem-aventurança eterna.
Amém.
(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória)
Senhor Bom Jesus do Brás, tende piedade de nós!
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