Neste fim de semana, o ex-presidente Jair Bolsonaro deveria desembarcar em São José (SC), coração do estado que lhe deu a maior votação proporcional do país nas últimas eleições. Sua saúde, entretanto, o obrigou a cancelar compromissos por um mês.
O gesto tem peso simbólico: a visita a SC viria a reforçar o apoio da base catarinense num momento em que ele tenta reorganizar o campo da direita para 2026. No entanto, há um personagem-chave que ficará novamente à margem dos holofotes nacionais: o governador Jorginho Mello (PL).
Apesar de ser um dos nomes mais alinhados ao bolsonarismo no país, Jorginho parece não ocupar espaço de destaque nas movimentações políticas do ex-presidente. A situação é, no mínimo, curiosa: um governador bem avaliado, fiel ao legado de Bolsonaro, e ainda assim ignorado como liderança nacional.
Um bolsonarista que “deu certo” — mas ficou de fora
Jorginho Mello construiu sua trajetória política com firmeza, transitando do Congresso para o comando de Santa Catarina. Como governador, apostou em programas como o Universidade Gratuita, investiu no setor produtivo, no agronegócio e no equilíbrio fiscal — marcas de uma gestão que dialoga com o ideário liberal-conservador. Mas, nacionalmente, tem sido tratado com frieza pelo núcleo duro do bolsonarismo.
Enquanto nomes como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e até figuras do Congresso como Nikolas Ferreira ganham protagonismo, Jorginho segue sendo um aliado regional, sem projeção além das fronteiras catarinenses.
O peso (ou a leveza) do colégio eleitoral
Santa Catarina é exemplo de bons índices sociais e forte apoio conservador, mas representa apenas 3% do eleitorado nacional. Isso limita o alcance natural de lideranças locais. Sem uma estratégia de nacionalização do nome ou o impulso direto de Bolsonaro, Jorginho Mello acaba sendo um gigante regional, mas um nome discreto na arena nacional.
O estilo que não empolga o núcleo bolsonarista
Outro fator é o perfil do próprio governador. Técnico, discreto e voltado à gestão, Jorginho não adota o tom combativo e polarizador que a militância bolsonarista costuma celebrar. Seu foco está em entregar resultados administrativos, e não em guerras ideológicas nas redes sociais. Isso agrada ao eleitor médio, mas não é suficiente para animar os bastidores políticos nacionais.
Bolsonaro busca apoio, mas não quer dividir protagonismo
A visita de Bolsonaro a Santa Catarina revelaria sua tentativa de manter vivo o capital político no estado mais bolsonarista do Brasil. Mas também escancarar uma escolha: reforçar a base sem necessariamente dividir o palco com lideranças regionais fortes. Jorginho Mello, nesse contexto, serve mais como sustentação institucional do bolsonarismo no sul do país, mas não como peça-chave no jogo de sucessão presidencial ou na reestruturação do PL.
O futuro de Jorginho
Jorginho Mello tem méritos e provavelmente será reeleito se concorrer em 2026. É um governador bem avaliado, promove políticas públicas relevantes e carrega legitimidade entre os catarinenses. Mas, para romper a barreira do regionalismo e se tornar um ator político nacional, precisa mais do que fidelidade ideológica: precisa de articulação, presença em Brasília, construção de alianças e, sobretudo, de visibilidade.
Se Bolsonaro continuar optando por nomes mais midiáticos ou estrategicamente posicionados em grandes colégios eleitorais, Jorginho corre o risco de ser lembrado como o bolsonarista que deu certo na gestão, mas não teve vez na política nacional.
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