Já viajou de trem? Não trem turístico, não — trem de verdade.
Aquele que partia pontualmente da estação com cheiro de ferro e saudade.
Que tinha gente embarcando com trouxas, chapéus, cadernos e esperanças.Pois é. Houve um tempo em que o trem não era uma atração — era parte da vida.
Viajar de trem era mais do que chegar a algum lugar. Era um modo de sair. E um modo de sentir a distância.
No trem, a partida era solene. Não se embarcava correndo como nos ônibus. Havia uma certa liturgia: conferir a passagem, dar um último abraço, colocar a mala no bagageiro de ferro, sentar-se perto da janela, esperar o apito. E quando o apito soava, havia um silêncio que doía — como se o coração demorasse um pouco para partir junto com os trilhos.
As paisagens vinham devagar. Havia tempo de ver um cavalo pastando, uma senhora estendendo roupa, um menino abanando a mão de longe. O tempo era outro. A velocidade não era uma exigência, era um detalhe.
Dentro dos vagões, havia conversa. Sim, conversa. Gente que se conhecia no banco ao lado, que trocava histórias, receitas, conselhos. O barulho ritmado dos trilhos era como um metrônomo da vida. Tac-tac, tac-tac — e a alma se aquietava.
Havia também o encantamento das estações. Cada parada era um mundo: gente esperando, gente chorando, gente vendendo pão de queijo e cocada. Estações com nomes sonoros, que pareciam título de livro antigo: Niterói, Cachoeira Paulista, Vacaria, Alfredo Wagner…
Hoje, tudo virou pressa. Viajar é apertar um botão, voar por horas sem ver uma árvore, chegar sem ter saído direito. Os aviões têm velocidade, mas não têm poesia. Os ônibus têm Wi-Fi, mas não têm alma.
Os trens, esses, jazem em fotografias, museus, trilhos enferrujados cobertos de mato. E no coração de quem, um dia, viajou vendo o mundo passar como quem folheia um livro devagar.
Mas se você ouvir, num dia calmo, um apito vindo não se sabe de onde — pare por um instante. Pode ser só o vento. Ou pode ser o tempo, querendo lembrar que havia uma época em que viajar era também contemplar.
E você, lembra de uma viagem de trem que ficou marcado na sua memória? Conta para a gente nos comentários!
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