Por Anne Applebaum – adaptado para o Jornal Alfredo Wagner Online
A reunião entre Donald Trump e Vladimir Putin, realizada em Anchorage (Alasca), revelou mais um capítulo da fragilidade da política externa norte-americana sob o atual governo. O encontro, que terminou sem avanços concretos, foi interpretado por analistas como a confirmação de que os Estados Unidos têm perdido instrumentos de influência na guerra da Ucrânia.
Segundo a jornalista Anne Applebaum, em artigo publicado na revista norte-americana The Atlantic, o presidente Trump tem sistematicamente reduzido a pressão sobre Moscou. Entre as medidas destacam-se: o bloqueio de envios militares já previstos para Kiev, a promessa de encerrar novos repasses de armas, os cortes em financiamentos para mídias independentes em língua russa e a flexibilização gradual de sanções econômicas contra o regime de Putin.
Para senadoras democratas como Jeanne Shaheen e Elizabeth Warren, cada mês em que os EUA deixam de agir fortalece a posição de Moscou. “Isso enfraquece os esforços ucranianos de pôr fim à guerra e mina a credibilidade dos Estados Unidos”, afirmaram em nota conjunta.
Enquanto em Washington essas decisões passam quase despercebidas, na Rússia a percepção é outra: a mídia estatal celebra a hostilidade de Trump contra Volodymyr Zelensky e contra a União Europeia. Putin, ciente do enfraquecimento das sanções, age com a convicção de que o líder americano, nas palavras usadas contra o próprio Zelensky, “não tem cartas na mão”.
O encontro no Alasca simbolizou mais constrangimento do que avanço. Trump foi criticado por receber em solo americano um chefe de Estado acusado de crimes de guerra, e por se mostrar submisso diante de um governante de um país economicamente mais fraco. Analistas também destacaram a falta de preparo da equipe diplomática americana, liderada pelo empresário Steve Witkoff, sem experiência em negociações internacionais.
Para Applebaum, a reunião não deve ser vista como um ponto de virada, mas como o desfecho de um processo mais amplo: a desarticulação da política externa dos EUA. Instituições como o Departamento de Estado, o Tesouro e a Agência de Inteligência Nacional estão sendo enfraquecidas por nomeações políticas que carecem de experiência e compromisso.
Embora Trump declare desejar a paz, o abandono das ferramentas diplomáticas, militares e econômicas sugere o contrário. Ao propor apenas negociações de longo prazo, em vez de pressão imediata por cessar-fogo, ele dá tempo para que Moscou continue a ofensiva.
“Os Estados Unidos não têm cartas porque abriram mão delas”, resume Applebaum. “Se quiserem recuperá-las, precisarão retomar o apoio militar à Ucrânia, ampliar sanções, enfraquecer a economia russa e só então alcançar a paz.”
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