A história do Soldadinho atravessou o tempo preservada, sobretudo, pela tradição oral. A busca por documentação escrita sempre se mostrou difícil, em razão da escassez de fontes históricas diretas que mencionem o episódio ou identifiquem o personagem.
Entretanto, uma obra lança nova luz sobre essa história e merece atenção especial: Caminhos da Integração Catarinense, do engenheiro Antônio Carlos Werner.
Uma obra de referência
Sobre a importância do livro, escreve Carlos Damião:
“Toda a história da ligação Leste-Oeste catarinense está no livro Caminhos da Integração Catarinense – Do Caminho das Tropas à Rodovia BR-282 (Florianópolis – Lages), resultado de mais de 40 anos de pesquisas do engenheiro civil Antônio Carlos Werner (1926–2001), profissional de carreira do DER (Departamento de Estradas de Rodagem), hoje Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura), e professor de Estradas da UFSC.
Werner deixou a obra com cerca de 90% dos originais preparados, incluindo fac-símiles de mapas preciosos, documentos e imagens. A edição, com 415 páginas, foi finalizada pelo historiador Toni Vidal Jochem e impressa em 2004 por iniciativa da viúva, Maria Amábiles May Werner, com apoio de amigos do antigo DER-SC.”
(Carlos Damião, BR-282: um desafio de dois séculos da engenharia de SC)
Trata-se, portanto, de uma obra de reconhecida autoridade técnica e histórica.

O mapa e o Soldado José
Entre os documentos reproduzidos no livro, encontra-se um mapa histórico no qual consta a inscrição:
“Pelo frio morreu o Soldado José”
O local assinalado no mapa indica o ponto onde o soldado teria sido enterrado, coincidindo com a região tradicionalmente associada ao túmulo do Soldadinho.
A data exata da confecção do mapa e sua autoria não estão claramente identificadas na publicação. Ainda assim, o simples fato de o episódio ter sido registrado cartograficamente indica que a morte do soldado era um acontecimento conhecido, digno de nota e não apenas um relato isolado ou uma lenda construída posteriormente.

Mais significativo ainda é o registro de um nome: José. Embora não seja possível afirmar, com base apenas nesse documento, tratar-se definitivamente do personagem conhecido como Soldadinho, a coincidência de local, causa da morte e tradição oral reforça a hipótese de que o soldado sepultado ali não era um desconhecido ocasional, mas alguém reconhecido pela comunidade da época.
A natureza do mapa
A leitura atenta do documento sugere que o mapa não se limita ao traçado de caminhos, mas funciona como um verdadeiro registro territorial da região, reunindo nomes de pessoas, indicações de posses, datas e anotações de fatos considerados relevantes à época. Diversos nomes aparecem acompanhados de observações que ajudam a compreender a ocupação humana e a dinâmica social do território.
Nesse contexto, a inscrição “Pelo frio morreu o Soldado José” parece integrar esse conjunto de registros factuais, reforçando a interpretação de que se trata de um acontecimento conhecido e suficientemente significativo para ser anotado junto a outros dados de caráter prático e histórico, e não de uma construção posterior ou puramente lendária.
O original do mapa histórico
O mapa original encontra-se sob a guarda do Museu da Entrada, em Bom Retiro, instituição que preserva documentos relacionados à ocupação da região conhecida como Entrada, especialmente ligada à história dos imigrantes adventistas que se estabeleceram no local. Esse acervo contribui de forma decisiva para a compreensão do processo de colonização, circulação de pessoas e registros históricos do planalto serrano catarinense.

Entre a história e a devoção
O mapa não responde a todas as perguntas, mas representa um avanço importante nas pesquisas. Ele estabelece um ponto de contato entre a memória popular e a documentação histórica, abrindo novas possibilidades de investigação sobre a identidade e a trajetória do Soldadinho.
Que o Soldadinho — conhecido ou anônimo, José ou não — nos ajude a descobrir mais informações sobre sua vida e, sobretudo, a preservar sua memória, venerando o exemplo de humildade e fé que a tradição popular lhe atribui.
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