O dia 8 de março é sempre curioso. Nesta data, os olhos se voltam para as mulheres. Oferecem-se flores, bombons, multiplicam-se homenagens e celebrações.
Mas, para mim, este dia sempre se transforma em algo mais íntimo: um momento em que voltam à memória, em forma de gratidão, todas as mulheres que passaram pela minha vida. Cada uma com uma importância impossível de medir.
A primeira delas foi minha mãe — a primeira mulher que meu olhar viu e pela qual já me apaixonei imediatamente. Nela estavam o carinho, o cuidado e a proteção que só uma mãe é capaz de oferecer.
Depois veio minha irmã, que até hoje me protege como se eu ainda fosse um bebezinho.
Lembro também das minhas primas, companheiras de muitas aventuras. Quem sabe um dia eu conte como era ser jovem nos anos 1970. Foram tempos de descobertas e de histórias que hoje se transformam em saudade.
Minhas avós, símbolos vivos de sabedoria, amor e resistência. Como eu amava as duas.
Minhas tias, sempre prontas a oferecer carinho, conselho e aquele aconchego que às vezes chega apenas em palavras — mas que aquece o coração.
Minha filha, que tantas vezes surpreende, mas que ao mesmo tempo ainda desperta em mim aquele instinto eterno de proteção.
Minhas cunhadas, que carregam consigo a mesma força e determinação que vi em minha sogra.
E lembro também da minha primeira professora da pré-escola, que me amparou num momento difícil: a timidez me fez perder a voz ao recitar uma lição, e foi ela quem me devolveu a confiança.
E como esquecer da coleguinha de pré-escola que dividiu comigo uma simples borracha quando eu havia esquecido a minha? Pequenos gestos que, para uma criança, significam muito mais do que imaginamos.
Recordo ainda da minha primeira namorada, que perdi por uma burrice da juventude — algo que, confesso, ainda hoje lamento.
Ao longo destes quase 70 anos, muitas mulheres cruzaram o meu caminho. Em seus olhares vi praticamente todos os sentimentos que cabem ao coração humano: amor, ódio, compaixão, desprezo, ternura, entusiasmo.
E, por fim — mas não menos importante — aquela que decidiu dividir comigo os dias e as noites, as alegrias e as decepções, as esperanças e as realidades. Aquela que transformou um simples “sim” na maior alegria que um homem pode receber.
Tantos olhares.
Tantos amores.
Tanta gratidão.
Porque o amor nunca se divide — ele apenas se multiplica.
O padre e compositor Padre Zezinho canta em sua conhecida canção sobre Maria de Nazaré que:
“Em cada mulher que a terra criou,
um traço de Deus Maria deixou.”
Eu diria que não é difícil encontrar, em cada olhar feminino que Deus criou, um traço do olhar de Maria.
E é por isso que, neste dia 8 de março, agradeço — a todas as mulheres — e à Mulher que mais amo, a quem agradeço todos os dias e rezo pedindo por todas estas mulheres que passaram e que ainda passarão por minha vida: Maria!
Fique informado, tenha acesso a mais de 15 colunistas e reportagens exclusivas sobre Alfredo Wagner e região! Acesse Canal no Whatsapp do Jornal Alfredo Wagner Online aqui! Jornal Alfredo Wagner Online aqui!