Apoio do prefeito Topázio Neto ao governador Jorginho Mello, a movimentação do senador Esperidião Amin e as articulações partidárias indicam que o cenário eleitoral catarinense começa a se reorganizar.
A política catarinense começou a registrar movimentos discretos, mas reveladores, que podem influenciar diretamente o cenário eleitoral de 2026. Ainda que a eleição esteja distante no calendário oficial, articulações partidárias e gestos institucionais já indicam que o tabuleiro político do estado passa por uma fase de rearranjo.
Análise recente do jornalista Caco Pereira aponta que os primeiros sinais dessa reorganização envolvem alianças improváveis, disputas internas em partidos tradicionais e uma crescente centralidade da eleição para o Senado.
Apoio na capital reforça posição do governo
Um dos episódios que chamou atenção nos bastidores foi a sinalização de apoio do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, à possível reeleição do governador Jorginho Mello.
O gesto ganha relevância porque Topázio integra o PSD, partido que tem como principal nome para disputar o governo em 2026 o prefeito de Chapecó, João Rodrigues. O movimento, portanto, foge da lógica tradicional de alinhamento partidário.
Nos bastidores políticos, a decisão é interpretada como pragmatismo administrativo. Capitais dependem fortemente de investimentos estaduais em mobilidade urbana, turismo e infraestrutura — e manter diálogo institucional com o governo costuma ser estratégico para qualquer gestão municipal.
Amin continua peça-chave no jogo político
Outro elemento central na equação eleitoral é o futuro político do senador Esperidião Amin.
Dentro do Progressistas, cresce a pressão para que o partido lance candidatura própria ao Senado. Lideranças partidárias avaliam que abrir mão da disputa poderia reduzir o protagonismo histórico da sigla no estado.
Caso Amin entre na disputa, o cenário tende a ganhar maior competitividade. O senador possui trajetória consolidada na política catarinense e mantém forte presença eleitoral em diversas regiões.
Federação partidária enfrenta dilema estratégico
A possível candidatura também expôs divergências dentro da federação formada entre Progressistas e União Brasil.
Enquanto parte do PP defende candidatura própria, setores do União Brasil demonstram disposição para manter diálogo com o governo estadual. A divergência levanta uma questão estratégica: preservar a unidade da federação ou permitir que cada partido siga caminhos diferentes nas eleições estaduais.
Esse tipo de definição costuma ter impacto relevante, já que as federações partidárias influenciam diretamente tempo de propaganda eleitoral, estrutura de campanha e distribuição de candidaturas.
MDB observa espaço político se abrir
Em meio às articulações da direita catarinense, o MDB também tenta reorganizar seu espaço político.
Após o rompimento com o governo estadual, o partido iniciou reuniões regionais com prefeitos e lideranças municipais para avaliar caminhos eleitorais. Internamente, algumas lideranças acreditam que a fragmentação do campo conservador pode abrir espaço para uma candidatura de perfil mais moderado.
Nesse contexto, o nome do ex-governador Raimundo Colombo volta a aparecer como possível ponto de convergência para um projeto político de centro.
Senado ganha protagonismo na eleição
Um dos aspectos mais interessantes do cenário atual é a mudança na dinâmica da eleição.
Tradicionalmente, a disputa pelo Senado acompanha a formação das chapas ao governo. Desta vez, o movimento parece ocorrer no sentido inverso: a definição das candidaturas ao Senado pode acabar determinando alianças e rompimentos entre partidos.
Esse fenômeno revela que a eleição de 2026 já começa a ser desenhada muito antes da campanha oficial.
Um tabuleiro ainda em movimento
Apesar das articulações, o cenário ainda está longe de uma definição.
O governo estadual aposta na agenda administrativa e na presença no interior do estado como estratégia para fortalecer sua posição política. Ao mesmo tempo, partidos e lideranças regionais avaliam seus espaços e possibilidades.
Como costuma ocorrer na política catarinense, alianças podem mudar rapidamente. E muitas vezes os acordos decisivos são construídos nos bastidores, bem antes de a campanha eleitoral começar.
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