Um conceito urbano que vem ganhando espaço no mundo começa a aparecer também em Santa Catarina: a chamada “cidade de 15 minutos”. A ideia é simples, mas poderosa — organizar os bairros de forma que os moradores possam acessar trabalho, comércio, lazer e serviços essenciais a poucos minutos de casa, preferencialmente a pé ou de bicicleta.
O modelo ganhou destaque recentemente com o anúncio do empreendimento Flores de Sal, em Tijucas, na Grande Florianópolis. O projeto prevê a criação de um bairro planejado em uma área de 4,6 milhões de metros quadrados, com capacidade para cerca de 25 mil moradores.
A proposta inclui residências, comércio, áreas de lazer e espaços verdes integrados. Entre os destaques está o Parque das Flores, com aproximadamente 70 mil metros quadrados de área pública com lago e trilhas. Segundo os responsáveis pelo empreendimento, cerca de 75% dos lotes da primeira fase já foram comercializados, e a valorização imobiliária chegou a aproximadamente 80% em apenas um ano.
O projeto segue uma tendência crescente no mercado imobiliário: a busca por bairros autossuficientes, onde a qualidade de vida esteja ligada à proximidade entre moradia, trabalho e lazer.
Uma ideia que pode funcionar também em cidades pequenas
Embora o conceito tenha surgido principalmente em grandes centros urbanos, ele pode ser ainda mais interessante para municípios menores, especialmente aqueles com forte potencial turístico.
Em cidades serranas ou de geografia mais acidentada, onde grandes áreas planas são raras, talvez não seja viável construir um bairro planejado gigantesco como o de Tijucas. No entanto, o conceito pode ser aplicado em escala menor e distribuída.
Em vez de uma única “cidade dentro da cidade”, seria possível criar vários pequenos núcleos de convivência, cada um com características próprias:
- pequenos centros gastronômicos
- trilhas e parques naturais
- áreas culturais
- hospedagens e pousadas
- comércio local
- espaços de trabalho remoto
Esses núcleos poderiam formar microcomunidades conectadas, permitindo que moradores e visitantes encontrem serviços e lazer próximos, sem necessidade de longos deslocamentos.
Turismo e qualidade de vida podem caminhar juntos
Para municípios com vocação turística, o conceito pode trazer uma vantagem adicional: unir qualidade de vida dos moradores com experiência para visitantes.
Imagine um visitante que chega à cidade e, em poucos minutos de caminhada, encontra:
- uma trilha na natureza
- um café ou restaurante típico
- uma feira de produtores locais
- uma pousada ou hospedagem familiar
- um espaço cultural ou histórico
Esse tipo de organização urbana cria não apenas comodidade, mas também identidade para o município, valorizando o que cada região tem de único.
Planejamento que respeita a paisagem
Outro ponto importante é que, em regiões serranas, o planejamento precisa respeitar a paisagem natural. Em vez de grandes blocos urbanos, o ideal pode ser um desenvolvimento mais espalhado e integrado ao ambiente, aproveitando vales, encostas e áreas já ocupadas.
Isso permite preservar a natureza — justamente um dos maiores atrativos turísticos dessas cidades.
Uma tendência que pode influenciar o futuro das cidades
A pandemia e o crescimento do trabalho remoto aceleraram mudanças no modo como as pessoas escolhem onde viver. Cada vez mais brasileiros buscam lugares com mais tranquilidade, natureza e qualidade de vida, mesmo que fora das grandes capitais.
Nesse cenário, conceitos como o da “cidade de 15 minutos” podem se tornar uma referência para o planejamento urbano do futuro, inclusive em cidades pequenas.
Mais do que grandes projetos imobiliários, a ideia central é simples: organizar a cidade para que as pessoas vivam melhor, com tudo mais perto e em harmonia com o ambiente.
E, para muitos municípios do interior catarinense, isso pode representar não apenas desenvolvimento urbano — mas também uma nova forma de fortalecer o turismo e a economia local.
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