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A pergunta que ecoa nos bastidores de Brasília não é simples, mas ganha força à medida que novos movimentos no Congresso indicam uma convergência incomum entre adversários históricos. O requerimento de criação da CPI do Banco Master, que poderia investigar possíveis irregularidades envolvendo o banco e suas conexões políticas, parece caminhar para o arquivamento silencioso — não por falta de assinaturas ou de fatos preliminares, mas por conveniência política.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, articula para evitar a leitura do requerimento da CPI, etapa obrigatória para sua instalação. A decisão, porém, não ocorre isoladamente. Nos bastidores, haveria um acordo com setores da oposição para que o tema não fosse levado adiante, em troca da priorização de outra pauta sensível: a votação do veto relacionado ao projeto de dosimetria, que impacta diretamente a redução de penas ligadas aos atos de 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Direita entrega o silêncio e a esquerda entrega a impunidade
O preço do silêncio sobre o Banco Master já foi tabelado: a blindagem de investigações financeiras em troca da leniência penal para os atos de 8 de janeiro. É o pragmatismo mais rasteiro, onde a direita entrega o silêncio e a esquerda entrega a impunidade, tudo sob a batuta de Davi Alcolumbre.
O resultado prático dessa negociação é um paradoxo político. Enquanto uma investigação sobre possíveis irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master perde força, outra pauta de forte impacto político e jurídico ganha protagonismo no plenário. A CPI, que contava com apoio formal de mais de 280 parlamentares, incluindo nomes da oposição, acaba ficando sem espaço na agenda oficial.
Planalto lavando as mãos do Congresso
O governo federal, por sua vez, também não demonstra interesse em impulsionar a comissão. Avalia-se que uma CPI nesse momento poderia ampliar desgastes políticos, manter o tema da corrupção em evidência e comprometer a narrativa de avanços administrativos e econômicos. Assim, o silêncio parece conveniente em diferentes espectros do poder.
Para o Planalto, manter o tema da corrupção e das relações promíscuas entre capital e política longe dos holofotes é vital. O discurso de “ética” cai por terra diante da necessidade de manter o status quo e evitar ruídos na economia.
Há ainda o histórico de tentativas semelhantes: pedidos de CPI no Senado e na Câmara sobre o mesmo tema enfrentam resistência, engavetamento ou ausência de leitura, o que na prática impede sua instalação. Enquanto isso, outras comissões já encerradas não chegaram a produzir relatórios conclusivos, reforçando a sensação de que investigações sensíveis acabam se perdendo no fluxo político.
O tapa na cara do eleitor
O caso expõe uma dinâmica recorrente em Brasília: quando interesses cruzam linhas ideológicas, a disputa deixa de ser entre direita e esquerda e passa a ser entre exposição e contenção. A pergunta, nesse contexto, permanece aberta — e cada vez mais incômoda.
Mais de 280 parlamentares assinaram o requerimento, mas a assinatura no papel vale menos que o aperto de mão no gabinete. Quando os interesses do poder cruzam as linhas ideológicas, a disputa entre Direita e Esquerda acaba. O que sobra é a união da elite política contra o direito da sociedade de saber a verdade.
E o STF?
A decisão de Zanin não é apenas um preciosismo jurídico sobre a autonomia dos Poderes; é o endosso institucional ao ‘engavetamento’ político. Ao ignorar o precedente da CPI da Covid — onde o STF garantiu o direito das minorias — o Tribunal agora oferece um salvo-conduto para que Hugo Motta e Davi Alcolumbre ignorem centenas de assinaturas sem medo de repressão judicial. Na prática, o Supremo removeu a última trava de segurança que impedia o Legislativo de transformar um escândalo financeiro em um assunto esquecido. Agora, o silêncio não é mais apenas uma estratégia parlamentar; é uma prerrogativa validada pela Corte.
A CPI do Banco Master não está sendo adiada; ela está sendo asfixiada. E os executores desse crime político estão em todos os lados do espectro partidário.
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