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Versões: O Que Fizemos e o que Deixamos de Ser

Jornalista Mauro Demarchi, 08/05/202608/05/2026

Há vídeos que divertem. Outros provocam. E há aqueles raros que fazem o espectador permanecer alguns minutos em silêncio depois que terminam. É o caso de “Versões”, uma pílula de sabedoria de Luiz Fernando Veríssimo interpretada com maestria por Marco Nanini. Na cena, Nanini dá voz a uma inquietação que todos carregamos, mas raramente confessamos: o que aconteceu com todas as outras versões de nós mesmos que ficaram pelo caminho?

Antes de continuar a leitura, vale assistir ao breve vídeo…

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Um post compartilhado por Ludmylla Almeida | Psicologia (@psicanalisepoesia.lud)

A Nostalgia do “E Se…”

O texto de Veríssimo toca em um ponto nevrálgico do comportamento humano: a tendência de romantizar as estradas que não pegamos. No fundo de cada escolha, reside um pequeno luto. O jornalista que não foi professor; o viajante que decidiu criar raízes; o amor de juventude que virou apenas uma lembrança de papel amarelado.

Antigamente, as trajetórias de vida eram mais lineares, quase coreografadas pela tradição. Hoje, vivemos a era da hiper-possibilidade. Temos a liberdade de nos reinventar a cada segunda-feira, mas essa liberdade cobra um pedágio alto: a ansiedade. Ao olharmos para as redes sociais, somos bombardeados por vitrines de vidas alheias que parecem confirmar que o “caminho de lá” era melhor que o de cá.

O Perigo das Vidas Imaginárias

O grande truque da mente humana é que a “vida não vivida” é sempre perfeita. Nela, não há boletos, não há rotina, não há cansaço. É uma construção idealizada. O problema surge quando passamos a comparar a nossa realidade — com todos os seus defeitos e calos — com essa ficção impecável.

“Toda escolha salva uma vida e enterra outras.”

Essa frase, implícita na reflexão de Nanini, resume nossa condição. Viver é, essencialmente, a arte de escolher qual versão de si mesmo você vai alimentar hoje. Amadurecer não é apenas acumular anos, mas sim a capacidade de reconciliar-se com a própria história, aceitando que as perdas são o alicerce das nossas conquistas.

A Beleza da Versão Real

Ao final do vídeo, o que resta não é o amargor do arrependimento, mas uma melancolia doce. Veríssimo e Nanini nos lembram que a vida não é apenas o que aconteceu, mas também o eco do que deixou de ser.

Para o leitor, fica o convite: em vez de sofrer pelas versões que você “enterrou”, que tal olhar com mais carinho para a versão que sobreviveu? A pessoa que você é hoje é o resultado de todas as renúncias, mas também de todas as coragens.

Tempo de leitura3 min

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