Em 9 de janeiro de 2010, fui chamado para fotografar a devastação de uma tromba d’água em São Leonardo e Picadas. Como jornalista e fotógrafo, minha missão era registrar o rastro de lama e destruição. Mas aquelas imagens foram, para mim, a gota d’água que fez transbordar uma reflexão profunda sobre a ecologia moderna e o que atualmente chamam de “nova religião verde”.
O Relatório fotográfico produzido pela Defesa Civil municipal poderá ser lido logo abaixo.
Naquela época, observei como a “sabedoria” moderna tentava deificar a natureza, transformando-a em uma “mãe extremosa” que só pune o homem porque ele a maltrata. Dezesseis anos depois, essa visão utópica parece ainda mais perigosa diante dos alertas climáticos que recebemos hoje.
A natureza é cíclica, periodicamente repete os mesmos acontecimentos, tornando-se previsível se a observarmos com atenção.
O Mito do Paraíso Artificial
Muitos “sábios” de hoje tentam transformar a Terra em um paraíso artificial, acreditando que podemos erradicar toda dor e controlar cada ciclo natural. Esquecem-se de que não vivemos em um jardim intocado. A natureza, como vi em São Leonardo e no Rio Adaga — enterrando comunidades pacatas sob árvores centenárias em minutos — é voraz e incontrolável.
A ecologia precisa repensar seus argumentos. A natureza não é ética, nem moral; ela é força bruta. Meu cachorro, que destrói plantas e abomina invasores em seu território, entende a natureza muito melhor do que muitos teóricos: ela é sobrevivência e conflito constante.
O Alerta do Super El Niño em 2026
Hoje, o cenário é ainda mais desafiador. As previsões de um Super El Niño colocam Santa Catarina novamente na rota de eventos extremos. Em nossa Alfredo Wagner, a “Capital das Nascentes”, a abundância de água que nos orgulha é a mesma que, sob o efeito de fenômenos globais, pode se tornar uma ameaça avassaladora.
O erro da “religião verde” é nos fazer acreditar que somos deuses capazes de “curar” o planeta com soluções superficiais, enquanto ignoramos a preparação real para a fúria dos elementos. Culpar o homem por cada cataclismo é uma forma simplista de tentar dar sentido ao caos.
Vigilância, não Utopia
Precisamos sair do transe da utopia ecológica. A natureza pode se voltar contra nós a qualquer momento, especialmente quando estamos desatentos, confiando na falsa segurança de que “a mãe natureza é sempre bondosa”.
O que vi no Rio Adaga em 2010 não foi um castigo divino nem um erro de cálculo humano; foi a natureza sendo o que ela é: indiferente e soberana. Que o Super El Niño que se avizinha nos encontre mais realistas e menos românticos. Onde há nascentes, há vida, mas também há a memória da lama. Estejamos prontos.
Concluindo
Moro nesta terra há 27 anos. Nesse período, vi o céu desabar e a terra se mover em pelo menos 10 grandes trombas d’água. Não são eventos isolados; são lições recorrentes que a Capital das Nascentes nos impõe. Cada uma delas deixou uma cicatriz diferente, mas todas reforçam a mesma tese: a natureza não avisa, ela executa.
📥 ACESSO AO DOCUMENTO HISTÓRICO Para quem deseja entender a magnitude técnica do evento, disponibilizamos abaixo a íntegra do relatório fotográfico produzido para a Defesa Civil de Santa Catarina em 2010. Um registro necessário para a memória de nossa cidade.
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