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O terreno onde esquerda e direita se dão as mãos!

Jornalista Mauro Demarchi, 13/05/202613/05/2026

No Brasil, o debate público costuma ser sequestrado por uma dicotomia rasa: de um lado, a defesa ferrenha de programas sociais; do outro, o clamor por austeridade e eficiência. No entanto, enquanto a militância se digladia nas redes sociais por migalhas ideológicas, existe um lugar onde o relógio da discórdia para e o aperto de mãos é firme. Esse terreno, imune a polarizações, é o do gasto público com a própria elite estatal.

Diferente do que muitos tentam emplacar, o grande vilão das contas públicas não é o auxílio que chega à mesa de quem pouco tem. O verdadeiro dreno financeiro do país, aquele que asfixia o crescimento e aprofunda a desigualdade, reside na estrutura faraônica que sustenta Brasília e as cúpulas dos Três Poderes.

A Transparência que Incomoda

Recentemente, o perfil @nospagamos no Instagram tem prestado um serviço de utilidade pública fundamental ao traduzir em números o que, para muitos, era apenas uma sensação de injustiça. A conta vai muito além do salário nominal dos parlamentares — que, por si só, já situa os políticos no topo da pirâmide de renda nacional.

O que os dados revelam é um ecossistema de “penduricalhos” e benefícios que desafiam a lógica de um país em desenvolvimento:

  • Auxílios e Verbas de Gabinete: Valores que muitas vezes dobram o custo real de um representante.
  • Estruturas Administrativas: A manutenção de prédios, frotas, viagens e uma burocracia interna que consome bilhões anualmente.
  • O Contraste com a Realidade: Enquanto o setor privado e o cidadão comum lutam para ajustar as contas à inflação, o orçamento para a manutenção do status quo político parece ser indexado a uma realidade paralela.

O Consenso do Privilégio

É aqui que o título deste artigo se justifica. No plenário, os discursos podem divergir sobre pautas morais ou econômicas, mas na hora de votar a manutenção de benefícios próprios, a expansão de fundos eleitorais ou o aumento de verbas que sustentam o luxo da máquina, as siglas se apagam.

A esquerda, que deveria lutar contra a desigualdade, muitas vezes silencia diante dos supersalários do funcionalismo de elite. A direita, que prega o Estado enxuto, raramente propõe cortes que atinjam o próprio gabinete. É o “Estado para si”: uma estrutura que primeiro se alimenta, para só depois distribuir o que sobra à população.

Conclusão

O problema do Brasil não é o investimento no social; é o custo da nossa representação. Não se trata de ser contra a política, mas contra a casta que se formou em torno dela. Enquanto o gasto com a “máquina” for tratado como cláusula pétrea e o gasto com o cidadão como variável de ajuste, continuaremos sendo um país que tributa como primeiro mundo para manter uma nobreza estatal, entregando serviços de terceiro.

É hora de olhar para os números apresentados por iniciativas de transparência e entender que, neste terreno pantanoso dos gastos públicos, a única coisa que realmente une os extremos é a conta que sobra para nós pagarmos.

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