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Direto de Brasília para o Jornal Alfredo Wagner Online
O movimento era intenso em uma cafeteria próxima à Esplanada dos Ministérios. Assessores, parlamentares e servidores se revezavam entre reuniões e compromissos e o delicioso café passado na hora. Em uma mesa mais afastada, mas próxima o suficiente para que eu pudesse acompanhar o diálogo, dois assessores catarinenses aproveitavam alguns minutos livres para colocar a conversa em dia.
— Você viu a última do Bornhausen? — perguntou o primeiro, mexendo lentamente o café.
— Qual delas? Na política, quando o Jorge Bornhausen fala, sempre tem alguém fazendo contas eleitorais logo depois.
— A ideia de colocar Kassab como vice de Caiado. Parece conversa nacional, mas pode mexer bastante com Santa Catarina.
O colega concordou.
— E justamente num momento em que muita gente acompanha as conversas entre Caiado e Zema. Se PSD e Novo caminharem juntos nacionalmente, isso inevitavelmente gera reflexos nos estados.
— Exatamente. Só que agora apareceu essa alternativa. Se o PSD fechar uma estratégia própria, a conversa com o Novo pode esfriar.
O segundo assessor apoiou a xícara sobre a mesa.
— E isso interessa diretamente ao cenário catarinense. O Novo já está bastante integrado ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello. Adriano Silva nunca escondeu sua resistência a uma aproximação com o PSD estadual.
— É curioso como uma conversa em São Paulo pode mudar o humor de lideranças em Florianópolis, Joinville, Chapecó… e até em Brasília!
— Política é assim. As peças se movem em um tabuleiro e o reflexo aparece em outro.
Por alguns segundos, ambos observaram o movimento da rua.
— E o João Rodrigues? — perguntou o primeiro.
— Continua construindo seu projeto. Mas toda definição nacional acaba influenciando os cálculos locais. Uma aliança entre PSD e Novo poderia abrir algumas portas e fechar outras. Se ela não acontecer, o cenário muda novamente.
O primeiro assessor sorriu.
— No fundo, a política brasileira continua sendo um grande jogo de xadrez.
— Com uma diferença.
— Qual?
— No xadrez, as peças obedecem ao jogador. Na política, muitas vezes as peças resolvem criar vida própria.
Os dois riram.
A conversa terminou quando os celulares anunciaram novos compromissos. Eu também tinha compromissos, afinal é segunda-feira e Brasília volta à sua rotina acelerada. Mas a observação feita naquela mesa permanece atual: em ano pré-eleitoral, uma simples sugestão feita por uma liderança experiente como Jorge Bornhausen, pode ser suficiente para alterar estratégias, redesenhar alianças e obrigar muita gente a recalcular seus próximos movimentos.
Porque, na política, nem sempre as grandes mudanças começam nos palanques. Muitas vezes elas nascem em uma conversa reservada, longe dos holofotes, enquanto o café ainda está quente.
Direto de Brasília para o Jornal Alfredo Wagner Online! Até a próxima!
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