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A escassez de talentos está mudando as regras da imigração

Karolina Christina Romagnoli dos Santos, 15/07/202615/07/2026

Mesmo com políticas migratórias mais rígidas, países como os Estados Unidos continuam criando caminhos para atrair profissionais altamente qualificados

Durante décadas, países disputaram recursos naturais, fábricas e investimentos. Agora, a competição passa por outro ativo, que são as pessoas. Em um mundo que envelhece e enfrenta escassez de profissionais especializados, atrair talentos tornou-se parte da estratégia econômica de diversas nações. Os vistos de trabalho são um reflexo dessa mudança.

Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 63% dos empregadores apontam a falta de profissionais qualificados como uma das principais barreiras para transformar seus negócios até 2030. A necessidade de preencher funções estratégicas tem levado diferentes países a revisar suas políticas para atrair trabalhadores altamente especializados.

Os Estados Unidos são um dos principais exemplos desse movimento. Embora o debate migratório tenha se tornado mais rigoroso, programas voltados à imigração qualificada continuam desempenhando papel importante. O visto H-1B, destinado a ocupações especializadas, como engenheiros, médicos e afins, recebeu 343.981 registros elegíveis para o ano fiscal de 2026, apesar de o programa disponibilizar apenas 85 mil vagas. A diferença entre oferta e demanda mostra que o interesse por esses profissionais continua elevado.

Outro caminho é o EB-2 National Interest Waiver (NIW), que beneficia pessoas altamente qualificadas, com experiência comprovada, produção técnica ou científica, liderança em sua área ou atuação em setores considerados estratégicos, com foco em gerar benefícios relevantes para os EUA. Em determinadas situações, ela permite a obtenção da residência permanente sem a necessidade de uma oferta formal de emprego.

“Há uma percepção de que os Estados Unidos fecharam as portas para profissionais estrangeiros. O que aconteceu foi um aumento do rigor na análise dos pedidos. Ao mesmo tempo, o país continua investindo na atração de pessoas capazes de contribuir para áreas estratégicas da economia, da pesquisa e da inovação”, afirma Caroline Azevedo, advogada da Visa Finder especializada em imigração e licenciada nos EUA.

Para a especialista, essa mudança revela uma transformação mais ampla. “Os vistos deixaram de ser apenas instrumentos migratórios e passaram a integrar a estratégia econômica de diversos países. Atrair pesquisadores, médicos, engenheiros, cientistas e empreendedores significa ampliar a capacidade de produzir conhecimento, desenvolver tecnologia e manter a competitividade”.

Mais do que categorias de imigração, programas como o H-1B e o EB-2 NIW mostram que a disputa por talentos se tornou uma prioridade para governos. Em uma economia cada vez mais baseada no conhecimento, a capacidade de atrair pessoas qualificadas tende a ser tão estratégica quanto a de captar investimentos.

Tempo de leitura3 min

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