Uma história que tem tocado profundamente os leitores do Jornal Alfredo Wagner e mobilizado milhares de pessoas pelas redes sociais ganhou novos e comoventes capítulos. É a trajetória de Luana Kerschbaum, moradora de Chapadão do Lageado, no Alto Vale do Itajaí, e de sua filha, Laura, cujas imagens de amor, paciência e dedicação diária continuam inspirando o país.
Um Domingo Comum que Mudou Tudo
Para entender a força da cena que recentemente viralizou, é preciso voltar ao dia 5 de maio de 2022. O que era para ser um domingo de rotina em família — com passeio, almoço e conversas na casa da mãe de Luana — transformou-se no início de um longo pesadelo.
Luana, na época com 31 anos, sentiu uma forte dor de cabeça. No pronto-atendimento, o diagnóstico inicial apontou para uma crise de ansiedade. Ela recebeu medicação e foi liberada. Nos dias seguintes, porém, os sintomas se agravaram severamente: tontura, fraqueza, vômitos e fala arrastada.
Após uma saga angustiante por socorro e atrasos no diagnóstico — agravados pela falta de exames e transporte na região —, Luana deu entrada no hospital já em quadro convulsivo. A confirmação veio dias depois: um AVC isquêmico grave, que atingiu a parte central do cérebro, área responsável pelas funções motoras e pela fala.
Foram 47 dias na UTI e uma batalha contínua pela vida. “Os médicos nunca deram esperança”, relembra o marido, Jovecir. Mas Luana sobreviveu.
A Casa que Virou Hospital e a Dor da Saudade
A volta para casa exigiu uma reestruturação total da vida da família. Para viabilizar os cuidados em tempo integral, Jovecir precisou deixar o emprego, e a família se mudou para a casa da sogra, Luciane. A residência adaptou-se com cama hospitalar, cadeira de rodas e equipamentos médicos.
Para a pequena Laura, que tinha apenas 3 anos quando a mãe adoeceu, a mudança foi brutal. A dor da ausência da mãe ativa — que a levava para a escola de bicicleta e brincava diariamente — chegou a se manifestar em febres emocionais durante a internação. Laura cresceu acompanhando o processo, e, embora hoje entenda melhor a situação, ainda sente as marcas dessa transformação.

A “Melhor Fonoaudióloga”: O Vídeo que Comoveu o Brasil
Hoje, prestes a completar 8 anos, Laura deixou de ser apenas a menina que mostrava suas conquistas para a mãe (como quando aprendeu a andar de bicicleta sozinhaz) para se tornar agente ativa de sua recuperação.
Em um vídeo recente que emocionou as redes sociais, Laura aparece sentada na cama, de mãos dadas e olhos nos olhos com a mãe. Com uma calma impressionante, a menina conduz um exercício de fala: pede para a mãe soltar a língua, insiste, corrige, incentiva e aguarda pacientemente o esforço de Luana, que tenta mover os lábios.
“A melhor fonoaudióloga”, comentou uma seguidora. “Ela que vai curar a mãe”, escreveu outra.
O olhar atento dos seguidores captou o que há de mais bonito na cena: a garotinha que sonha em ser médica para “curar o AVC da mãe” já começou a atuar, liderando com carinho e persistência a rotina de reabilitação.

Um Dia de Cada Vez
Manter a rotina de tratamento de Luana não é fácil nem barato. Entre fisioterapia, fonoaudiologia e consultas especializadas, os custos ultrapassam R$ 7 mil por mês. Sem a renda do marido, que se dedica exclusivamente aos cuidados da esposa, a família conta com a solidariedade pública.
É através das redes sociais, no perfil administrado pela família, que milhares de pessoas acompanham os pequenos e grandiosos passos de Luana e enviam apoio.
Como Ajudar a Família
- Perfil no Instagram:@laura_e_luana22
- Chave Pix para doações:
(47) 99739-6385(em nome de Luciani Paul Kerschbaum)
Apesar de não haver prognóstico médico de alta ou recuperação completa da fala, a família recusa-se a perder a esperança. Entre os atendimentos diários e os desafios financeiros, permanece a imagem da pequena Laura, sentada em frente à mãe, acreditando que o amor e a insistência ainda vão fazer a mãe responder.