Nos últimos meses, um movimento tem chamado minha atenção: aparentemente, virou moda diminuir o trabalho do influenciador digital. Como se criar conteúdo fosse sinônimo de falta de esforço. Como se bastasse ligar uma câmera, gravar um vídeo e esperar o dinheiro cair na conta.
Existe espaço para crítica, sim. Como em qualquer profissão, há gente pouco preparada, campanha mal planejada, conteúdo que não entrega nada. Mas tratar uma indústria inteira como piada é ignorar o tamanho do impacto que ela produz, todos os dias, na economia real.
Da cafeteria de bairro ao lançamento global
Um influenciador local ajuda uma cafeteria de bairro a lotar pela primeira vez em anos. Ajuda uma marca regional a vender para o país inteiro. Ajuda uma multinacional a lançar um produto em dezenas de mercados ao mesmo tempo, com custo e velocidade que nenhuma campanha tradicional alcança. É gente movimentando turismo, moda, beleza, tecnologia, gastronomia, eventos, hotelaria e centenas de negócios pequenos que jamais teriam orçamento para aparecer na mídia tradicional.
A credibilidade que falta ao público sobra nas estratégias
Enquanto parte do público ainda trata a profissão com desconfiança, as marcas caminham na direção oposta. De acordo com o relatório 2025 Creator Economy Ad Spend & Strategy Report, do IAB (Interactive Advertising Bureau), o investimento das marcas americanas em creator marketing deve chegar a US$ 44 bilhões em 2026, crescimento de 18% em relação ao ano anterior e mais que o dobro do mercado publicitário como um todo.
Os números ajudam a explicar por que a creator economy já movimenta centenas de bilhões de dólares e segue entre os setores mais dinâmicos da economia digital.
Confiança é o verdadeiro produto
E engana-se quem pensa que esse dinheiro migra pro setor simplesmente porque o influenciador “engana bem” o seu público. Ele migra porque essas pessoas constroem algo que nenhuma mídia tradicional consegue entregar pronta: confiança. E é essa confiança que faz com que as recomendações sejam percebidas de forma diferente. Quando existe credibilidade, a mensagem prende a atenção do público, que rapidamente repercute a ideia da campanha de forma orgânica, e gera, assim, o tão esperado retorno em vendas.
Por isso, talvez seja hora de parar de perguntar se influenciador tem profissão de verdade e começar a reconhecer que ele é parte de uma das maiores transformações do marketing e do consumo da última década. Criticar é saudável e necessário. Desmerecer uma indústria inteira que movimenta bilhões, gera empregos e cria oportunidades para grandes e pequenos negócios é apenas ignorar uma transformação que já aconteceu.
Ana Jacobs é especialista em marketing de influência há dez anos, fundadora e CEO da Jacobs Comunicação, agência especializada em casting e gestão de influenciadores e branding digital nos segmentos de moda, beleza e lifestyle, com operação no Brasil e nos Estados Unidos.