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De R$ 0,20 a Fora PT e Não ao Comunismo – a trajetória das manifestações!

Jornalista Mauro Demarchi, 16/11/201525/09/2020

Cresce teor ideológico nas manifestações
Em particular a oposição ao socialismo e ao comunismo, aliada ao desejo de um País e de um mundo mais cristãos.
Gregorio Vivanco Lopes

Em agosto de 2013, grande surpresa sobreveio nas manifestações então havidas no Brasil.

Iniciadas após um moderado aumento das passagens de ônibus, metrôs e trens suburbanos — apenas R$ 0,20 em São Paulo, abaixo da inflação —, as primeiras foram convocadas para pedir o cancelamento desse aumento. Elas foram lideradas pelo “Movimento Passe Livre” (MPL), organização anárquica gerada nas obscuras entranhas do Fórum Social de Porto Alegre em 2005 e desconhecida dos brasileiros, cujo objetivo era implantar uma sociedade autogestionária e ecológica que fosse além do comunismo.

A meta era óbvia: começar com um movimento pela derrogação do aumento das passagens e estender depois as reivindicações para campos sempre mais extensos e mais à esquerda, na tentativa de abalar as estruturas sociais e econômicas do País, ou pelo menos lhes dar uma primeira chocalhada; sempre com vistas a um comunismo anárquico, sua meta final. O método passaria por uma democracia direta, impulsionada por líderes revolucionários, sob o olhar complacente das autoridades.

Se as manifestações alcançassem êxito, seria para o PT como sopa no mel, pois a pretexto de seguir a vontade popular, o governo Dilma Rousseff poderia impor ao Brasil uma agenda chavista-bolivariana, tão cara a Lula da Silva, mas que vinha encontrando oposições crescentes na opinião pública nacional.

A grande e grata surpresa

A surpresa manifestou-se quando o movimento de protesto tomou características insuspeitadas. Primeiramente, quanto ao número de participantes — acima de toda expectativa — e sua perseverança dias a fio; depois, quanto à sua qualidade, pois provinham em grande número da classe média; por fim, quanto à pluralidade das reivindicações, muitas delas de caráter antes conservador que “progressista”.

Foi um susto para as esquerdas. E um susto tão grande, que causou uma vítima fatal: o MPL. Sob o título “Vida Curta”, o jornalista Ancelmo Góis informa que “o Movimento Passe Livre, de SP, que deu início às grandes manifestações de junho de 2013, fechou as portas” (“O Globo”, 5-8-15).

Acentua-se em 2015 o caráter ideológico

Em 2015 ocorreram três grandes manifestações, respectivamente em março, abril e agosto. O timbre desta vez foi claramente conservador, pondo diretamente em causa o governo socialista do PT. A luta contra a corrupção foi de início seu leitmotiv.

Nessas manifestações, porém, um observador atento poderia distinguir uma linha ascensional. Não no que diz respeito ao número de participantes, cuja variação um pouco para mais ou para menos é no total irrelevante, dado que todas elas foram multitudinárias. Também não mudou muito o tipo de público que participou, em geral de classe média ou média baixa.

O aspecto marcante foi, fora de dúvida, o crescimento do teor ideológico delas. Na última manifestação, a densidade de anticomunismo e de anti-socialismo foi de chamar a atenção. Nos cartazes e nos slogans isso se deu certamente, mas a ideologia floresceu principalmente nas expressões verbais, nas conversas e nos ditos de passagem.

Também se manifestou notória a simpatia do público em relação à presença de um grupo do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira com seus estandartes, suas insígnias, ao som do Hino à Bandeira e de outras marchas adequadas à ocasião.

Os cartazes e brados “Fora Dilma”, “Fora Lula”, “Abaixo o PT” e outros do gênero, dividiam espaço com outros como “Abaixo o comunismo”, “O Brasil jamais vermelho”, “Abaixo o socialismo”, “Bolivarianismo, fora”, “Abaixo o Foro de São Paulo” etc.

Esperanças suscitadas

Esse crescimento do fator ideológico é um bem ou um mal?

Para quem esteja preocupado apenas com o seu bem-estar pessoal, com a sua segurança, com o tratamento de sua saúde, com a carreira a ser seguida por seus filhos — todas elas, aliás, preocupações legítimas, mas limitadas — a maior ideologização terá sido, se não um mal, pelo menos um inconveniente. Pois ao se alargarem muito os horizontes, põem-se em segundo plano os interesses imediatos.

Mas para os que transcendem esses objetivos, sem negá-los nem os subestimar, e voltam suas preocupações principalmente para o campo superior das ideias gerais, do futuro do Brasil e da Igreja, do amor à verdade, ao bem e ao belo, possuem eles uma visão superior da realidade, a qual já toca no sublime, E, portanto, demonstram maior amor a Deus.

E se o número desse tipo de pessoas continuar crescendo, especialmente em força de convicção e disposição de luta, surge a esperança de uma renovação da face do Brasil e quiçá do mundo, quando sobre a ação delas pairar uma bênção mais rica e fulgurante de Nossa Senhora. São aqueles dos quais se espera a firmeza de princípios e o ânimo para enfrentar todas as dificuldades, aguentar todos os sofrimentos, sobrepor-se a todos os obstáculos. Tendo em vista construir uma sociedade e uma civilização cristãs nas quais realmente valha a pena viver. Ainda que para isso tenham que ser lutadores impertérritos em meio a convulsões, como as preditas pela Santíssima Virgem em Fátima.

“Resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos Céus” (Mateus, 5,16).

(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM

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