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Próxima medida de Bolsonaro pode cair como uma bomba no mercado de publicidade na TV

Jornalista Mauro Demarchi, 12/09/201912/09/2019
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Próximo alvo: publicidade na TV

Na fotografia: Bolsonaro entre Edir Macedo (RecordTV) e Silvio Santos (SBT) durante comemoração do 7 de Setembro em Brasília. Foto: Alan Santos/Presidência da República

Por Júlio Lubianco

Se as duas medidas provisórias que tratam da publicação de balanços de empresas e avisos do poder público afetam diretamente as finanças de jornais impressos, a próxima medida de Bolsonaro pode cair como uma bomba no mercado de publicidade na TV.

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Ele já deu sinais que pretende editar uma MP para mudar as regras do chamado “bônus de volume”. O bônus é uma espécie de incentivo pago a agências de publicidade por emissoras de TV como recompensa pela compra de espaço publicitário, explica o UOL. Como lembra o Meio&Mensagem, “a prática de bonificação de volume (BV) […] rege o mercado publicitário nacional”.

A TV Globo, que tem a maior audiência na TV aberta brasileira, usa o bônus para garantir ainda mais receitas de publicidade, o que desequilibra o mercado na avaliação de outra emissoras, como informa o jornalista Ricardo Feltrin, especializado em mídia, também no UOL. Como lembra o Meio&Mensagem, “a prática de bonificação de volume (BV) […] rege o mercado publicitário nacional”.

Recentemente, em entrevista à Folha de S. Paulo, Bolsonaro disse que pode editar uma medida provisória para alterar as regras do bônus de volume, pois “para o presidente, um projeto de lei não andará tão rápido no Congresso”. Ainda de acordo com a Folha, o presidente “ameaça reeditar a MP a cada ano de seu governo. O alvo da medida é o Grupo Globo, segundo Bolsonaro”.

A empresa concentra a maior parte das verbas de publicidade do país e, segundo críticos, usa o bônus de volume para ampliar ainda mais a sua participação no mercado,  informou a Folha em janeiro, numa detalhada reportagem sobre o tema. O mecanismo também favorece outras emissoras de TV em relação a outras mídias, como jornais e rádio.

Durante a campanha e desde o início do governo, Bolsonaro tem feito ataques à cobertura jornalística, e tem como um dos seus alvos prioritários a TV Globo. Ao mesmo tempo, ele tem se aproximado de outras emissoras, como o SBT, do empresário Silvio Santos, e a RecordTV, de Edir Macedo, também líder da Igreja Universal do Reino de Deus. Os dois estiveram com Bolsonaro no palanque da comemoração do último 7 de Setembro, em Brasília.

As duas emissoras têm sido preferidas pela equipe de comunicação da Presidência da República na divulgação de políticas públicas e em entrevistas exclusivas de membros do governo, sobretudo do presidente da República. Ao mesmo tempo, vozes mais críticas são abafadas. Em junho, a RecordTV afastou o veterano jornalista Paulo Henrique Amorim da apresentação do semanal Domingo Espetacular (ele teve um infarto e morreu dias depois). Já a Rachel Sheherazade deixou a apresentação do SBT Brasil, principal telejornal da emissora, às sextas-feiras após críticas ao governo.

Tempo de leitura3 min

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