No último domingo, comemoramos os 24 anos da minha filha, a MCMD — como ela mesma gosta de ser chamada. Foi uma festa simples, em família, cheia de sorrisos e abraços. Mas a comemoração mais marcante aconteceu hoje, na APAE, onde ela quis dividir sua alegria com os colegas e profissionais que, em pouco mais de um mês, já se tornaram parte importante de sua vida.
Na APAE, ninguém é diferente — e talvez esteja aí o segredo. Cada aluno carrega sua história, seus desafios e suas conquistas, mas ali todos se reconhecem como iguais. Não há espaço para julgamentos, apenas para o companheirismo e o carinho genuíno. É uma verdadeira irmandade, construída dia a dia, onde cada um é acolhido como é.
As pequenas festas de aniversário que acontecem ali — e já foram três nas últimas semanas — são um retrato desse espírito. Um bolo simples, alguns salgadinhos e docinhos comprados com esforço, e o essencial: a alegria compartilhada. O “parabéns” cantado em coro é mais do que uma tradição — é uma celebração da vida, da amizade e do respeito mútuo.
A MCMD escolheu o Capitão América como tema da decoração. Quando perguntei o motivo, ela respondeu com firmeza e um sorriso: “Porque todo mundo pode gostar dos personagens que quiser. Não existe personagem só pra menina ou só pra menino.”
Essa frase, tão simples e verdadeira, diz muito sobre o que ela tem aprendido e vivido. Na APAE, ninguém precisa esconder o que é para ser aceito. Cada um é valorizado por sua essência. E talvez por isso o ambiente seja tão cheio de amor e de respeito — porque ali as diferenças não separam, elas unem.
Minha filha quis que eu escrevesse sobre isso. Disse que era importante agradecer aos profissionais da APAE pelo carinho, pelo cuidado e pela dedicação com que tratam cada aluno. E ela tem razão. Em um mundo ainda marcado por pressa, preconceitos e rótulos, a APAE mostra, todos os dias, que inclusão é uma forma de amor.
Para ela, essa festa significou muito. Para mim, significou ainda mais: a certeza de que ela está num lugar onde pode ser quem é, gostar do que quiser e ser feliz exatamente do seu jeito — cercada de pessoas que a fazem sentir-se pertencente.
Por Mauro Demarchi, pai da MCMD
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