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Escalada tarifária dos EUA ameaça US$ 15 bi em exportações e gera reação do Planalto

Jornalista Mauro Demarchi, 24/07/202624/07/2026
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Indústria prevê impacto severo em mais de 4 mil produtos, enquanto o Itamaraty alerta que sanções americanas podem minar o combate ao trabalho escravo no país.

SÃO PAULO e BRASÍLIA — O acúmulo de sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos acendeu o sinal de alerta no setor produtivo e na diplomacia brasileira. A combinação da nova taxa de 12,5% com a tarifa prévia de 25% resultará em um acréscimo de 37,5 pontos percentuais sobre milhares de bens exportados pelo Brasil para o mercado americano.

Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as medidas afetam diretamente 4.187 produtos, que movimentam cerca de US$ 14,9 bilhões por ano em vendas para os EUA. O maior impacto recai sobre o setor industrial: 62% dos bens atingidos são insumos intermediários, cruciais para processos produtivos de ambas as nações.

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Incerteza e paralisação de negócios

Além do custo direto, economistas apontam o estrago indireto causado pela volatilidade das regras comerciais impostas por Washington.

“Esse clima de incerteza já causa um prejuízo enorme, travando contratos e investimentos dos exportadores”, analisa Francisco Carlos, professor de Economia da Fipecafi. O especialista ressalta, contudo, que ainda há dúvidas operacionais sobre se uma cobrança pode vir a anular ou reajustar a outra ao longo da aplicação prática.

Setores e Produtos AtingidosImpacto / Alíquota Acumulada
Insumos Industriais (4.187 itens)+37,5% em tarifas adicionais
Aço e MetalurgiaSobretaxa de 50% + limite de cotas
Carne Bovina (excedente)Tarifa de 26,4% + alegações do USTR
Açúcar (excedente)Taxa fixa de US$ 357,60 por tonelada

A resposta do governo brasileiro

A reação da diplomacia brasileira foi imediata. Em comunicado oficial, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebatou as acusações do USTR e criticou a postura unilateral de Washington, destacando que as sanções desrespeitam as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Esta investigação da Seção 301, e quaisquer ações que possam dela resultar, ameaçam minar o progresso alcançado pelas iniciativas brasileiras e comprometer os próprios objetivos declarados pelos EUA”, afirmou o chanceler Mauro Vieira.

O Itamaraty reforçou que o Brasil possui um dos arcabouços legais e fiscalizatórios mais avançados do mundo no combate ao trabalho análogo à escravidão, citando o aprimoramento constante do Código Penal e a efetividade da “Lista Suja” do trabalho escravo. Para o governo brasileiro, punições comerciais desmotivam os avanços institucionais conquistados no país nos últimos anos.

Tempo de leitura3 min

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